ONDAS – Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento

ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Como a privatização agravou a crise hídrica paulista

Destaques –  24 a 30 de janeiro de 2026

Emoji Como a privatização agravou a crise hídrica paulista
2⃣ Tarcísio, chega de privatização. A conta chega, mas a água não
3⃣ Chega de silêncio! Sua voz tem força: Mostre a falta d’água da sua torneira
4⃣ Sabesp compra da Iguá concessionária de Mirassol (SP)
5⃣ Sabesp contrata financiamento de US$ 1,5 bilhão
6⃣ Estudo busca dar detalhes para país atingir meta de saneamento
7️⃣ Parcerias público comunitárias e a reestatização do saneamento – o caso de São Lourenço do Sul
8️⃣ Monitor de Secas da ANA traz evolução em dezembro de 2025
9️⃣ Pernambuco: Homologado o resultado da licitação da concessão do Bloco 1
? Aquífero abastece megaempreendimento enquanto entorno sofre com falta d’água no RJ
Na Inglaterra, governo trabalhista não apoia a renacionalização do saneamento básico e contas das privadas aumentam
ABCON tem novo presidente do Conselho de Administração
Participe do II Encontro Nacional de Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS)
Artigo questiona resultados da Lei nº 14.026/2020

Emoji
COMO A PRIVATIZAÇÃO AGRAVOU A CRISE HÍDRICA PAULISTA

Matéria publicada pelo “Outras Palavras” mostra que o nível atual dos reservatórios projeta um desabastecimento pior que o de 2014-15 para a Região Metropolitana de São Paulo e que ao privatizar a Sabesp, Estado perdeu instrumentos essenciais para mitigar a crise. O resultado é um racionamento desigual, não declarado e invisibilizado pela mídia corporativa. A adoção de uma medida que na prática restringe o abastecimento de água para boa parte da população, em geral periférica, garante, contudo, que a Sabesp não tenha redução de receita.

Na matéria, o coordenador do ONDAS Amauri Pollachi destaca que o impacto da falta de água é descarregado sobre as pessoas de baixa renda, que consomem pouco em relação a outros segmentos da população, e com isso o impacto na receita da empresa privada é marginal, muito baixo. Em compensação, fica garantido o abastecimento em áreas de alto poder aquisitivo, que estão verticalizadas.

Edson Aparecido Silva, mestre em Planejamento e Gestão do Território, secretário-executivo do Ondas e assessor de Saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários também foi ouvido pelo  “Outras Palavras “No fundo, há uma questão central nesse debate: a Sabesp é uma empresa que vende água. Sob uma gestão privatizada, quanto mais água vende, mais arrecada, mais lucra e mais dividendos distribui aos acionistas. Essa lógica ajuda a explicar por que medidas que desestimulam o consumo, como bônus para quem economiza ou multas para quem consome mais, adotadas, por exemplo, na crise de 2014 e 2015, não aparecem hoje como política central”.

Saiba mais.

2⃣
TARCÍSIO, CHEGA DE PRIVATIZAÇÃO. A CONTA CHEGA, MAS A ÁGUA NÃO

A campanha “A conta chegou, a água não” está convidando para ato de protesto na quinta-feira, dia 19/02, em frente à SABESP Jardins (Alameda Santos, 1919), com concentração as 10h na Praça do Ciclista (Avenida Paulista, entre as ruas Bela Cintra e Consolação).

Participe da reunião preparatória na terça-feira, dia 3/02, às 14h, na sede da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM) na Rua Marconi, 131, 7° andar, Centro -SP.

3⃣
CHEGA DE SILÊNCIO! SUA VOZ TEM FORÇA: MOSTRE A FALTA D’ÁGUA DA SUA TORNEIRA

Na periferia a conta nunca atrasa, mas a água… essa raramente aparece. Não deixe esse descaso ficar invisível. Sua indignação precisa ser vista para ser ouvida. A coordenação da Campanha “A conta chegou, a água não” divulgou instruções de como os usuários dos serviços da Sabesp podem participar ativamente gravando um vídeo no celular.

Como participar da campanha: “A conta chegou, a água não

Com seu celular na posição vertical, grave um vídeo curto (até 2 minutos) mostrando a torneira seca, a conta alta, a louça acumulada ou a roupa sem lavar. Você pode contar há quanto tempo está sem água, as dificuldades que a situação gera, mas também pode só registrar em imagem o esforço para tomar um banho digno ou cozinhar, o registro seco enquanto você segura a conta paga em mãos.

Envie seu vídeo por Whatsapp para Cecília (11) 98548-7374 e ajude a pressionar quem tem o dever de resolver. Quem sente a sede é quem tem o direito de gritar.

O seu vídeo é a prova real de que a nossa dignidade não pode ser cortada.

4⃣
SABESP COMPRA DA IGUÁ CONCESSIONÁRIA DE MIRASSOL (SP)

A Sabesp ‍anunciou nesta terça-feira acordo ‌para comprar da Iguá Saneamento participação de ‌90% ‌na Saneamento de Mirassol (Sanessol), no interior de ‌São Paulo.

As companhias não revelaram o valor do negócio em comunicados ao mercado. Segundo a Sabesp, ⁠a ⁠Sanessol atende cerca de ‌65 mil pessoas e ‍tem um contrato de concessão firmado em 2008 ‌para abastecimento de ‍água e esgotamento sanitário de 30 anos de duração. A Iguá controla ainda, no estado de São Paulo, as concessionárias de Andradina, Castilho e Atibaia.

Leia aqui o Comunicado ao Mercado feito pela Sabesp.

5⃣
SABESP CONTRATA FINANCIAMENTO DE US$ 1,5 BILHÃO

A Sabesp anunciou na noite de terça-feira (27) ⁠que contratou financiamento ‍junto ao Inter-American Investment Corporation no valor total de US$ 1,50 bilhão.

De acordo com empresa, os recursos obtidos serão destinados a projetos relacionados com as metas de ⁠universalização do saneamento básico no ‌estado de São Paulo, incluindo a construção e melhorias de ⁠estações de tratamento de esgoto e ‌a ‍expansão de sistemas de coleta.

Saiba mais.

6⃣
ESTUDO BUSCA DAR DETALHES PARA PAÍS ATINGIR META DE SANEAMENTO

Matéria no jornal Valor Econômico divulgou a Iniciativa Saneamento Inclusivo, plataforma que afirma que os contextos de acesso ao saneamento no Brasil são diversos e desiguais e portanto que  garantir o atendimento adequado do esgotamento sanitário para todos, implica considerar soluções adaptadas às condições e peculiaridades de cada território.

A plataforma pretende sistematizar informações, metodologias, ferramentas e experiências práticas que almejam impulsionar cadeias sustentáveis e integradas de saneamento e assim oferecer elementos às concessionárias e aos governos para que adotem estratégias e políticas públicas mais adaptadas às especificidades dos territórios e com menores custos possíveis aos cofres públicos.

No site da Iniciativa, são encontradas informações sobre parcerias com a UFC, UFOB e Unicap

Saiba mais.

7️⃣
PARCERIAS PÚBLICO COMUNITÁRIAS E A REESTATIZAÇÃO DO SANEAMENTO – O CASO DE SÃO LOURENÇO DO SUL

Encontra-se em curso um processo de reestatização dos serviços de água e esgoto em São Lourenço do Sul, situada às margens da Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul. Conforme divulgado pelo prefeito deste município, o processo “espelha características das remunicipalizações de Berlim e Paris. Em Berlim, a mudança foi impulsionada pela participação cidadã, revertendo uma privatização ineficaz. Em Paris, foi uma decisão política que rompeu contratos considerados prejudiciais à população. Para ambos os casos, a insatisfação surgiu da falha do setor privado em cumprir as promessas de eficiência e redução de custos. …O movimento combina a indignação popular diante da má prestação do serviço de água (como em Berlim) e a decisão política da gestão municipal (como em Paris)”.

O município questiona a concessão para a iniciativa privada por considerar que foi firmada sem transparência e com metas incompatíveis com a Política Municipal de Saneamento Básico. Desde 2012 já se incorporava a gestão integrada das águas pluviais e resíduos urbanos, com a água e o saneamento e em 2025 São Lourenço do Sul deu um passo importante ao aprovar uma legislação que regulamenta as parcerias público comunitárias (Lei Ordinária N° 4300/2025 – Leis.org)

“O objetivo é integrar Prefeitura e sociedade civil para construir soluções conjuntas diante dos desafios das comunidades do interior e da cidade.” O marco legal das parcerias público-comunitárias.

8️⃣
MONITOR DE SECAS DA ANA TRAZ EVOLUÇÃO EM DEZEMBRO DE 2025

Aqui são destacadas apenas as informações sobre secas graves no último mês do ano passado. Na Região Nordeste, houve avanço da seca extrema em partes do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e da Bahia e expansão da área com seca grave no Ceará. Houve recuo das secas graves no Maranhão, Piauí e Bahia, e das extremas (S3) no Piauí. A Região Sudeste apresentou avanço das secas graves em Minas Gerais. Houve recuo das secas graves em São Paulo. Na Região Sul, houve recuo das secas graves no Paraná. Já na Região Norte, houve recuo da seca grave no Tocantins. Na Região Centro-Oeste, houve avanço da seca grave (S2) em Goiás e o agravamento da seca moderada (S1) para grave (S2) no Mato Grosso do Sul.

Saiba mais sobre a evolução das secas por região e por UF em dezembro de 2025.

9️⃣
PERNAMBUCO: HOMOLOGADO O RESULTADO DA LICITAÇÃO DA CONCESSÃO DO BLOCO 1

Foi adjudicada em 24/01 a concessão da prestação regionalizada dos serviços públicos de distribuição de água tratada e esgotamento sanitário dos 24 municípios do Bloco 01, referente à Microrregião do Sertão (MRAE-I), em favor da empresa Infraestrutura BR V Saneamento Holding II S.A, controlada pelo fundo de investimentos Pátria.

A empresa vencedora ofereceu o desconto máximo de 5% sobre a estrutura tarifária de referência e o pagamento de R$ 720 milhões a título de ônus pela outorga.

O Pátria Investimentos é uma das principais plataformas de ativos alternativos na América Latina, com cerca de US$ 50 bilhões sob gestão, forte presença em Private Equity, Infraestrutura, Real Estate e Crédito. Sua participação nesta concessão reforça o processo de financeirização da prestação dos serviços públicos de água e esgoto no país.

Leia ato oficial.

?
AQUÍFERO ABASTECE MEGAEMPREENDIMENTO ENQUANTO ENTORNO SOFRE COM FALTA D’ÁGUA NO RJ

Imagine um grande reservatório de água doce subterrânea e de excelente qualidade. Esse é o aquífero Emboré, localizado na região Norte Fluminense, considerado estratégico para a segurança hídrica regional. Desde 2022, o Porto do Açu tem autorização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para explorar essas águas profundas.

A jurisdição sobre a água subterrânea é do governo estadual, segundo a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997). O Inea, por sua vez, não informou o valor da outorga de direito de uso de recursos hídricos emitida para o aquífero Emboré. Os recursos gerados pela cobrança devem financiar programas, projetos e obras de melhoria na qualidade da água para o bem comum.

Saiba mais.


NA INGLATERRA, GOVERNO TRABALHISTA NÃO APOIA A RENACIONALIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO E CONTAS DAS PRIVADAS AUMENTAM

A privatização da água na Inglaterra não é a razão para seus fracassos, afirmou o idealizador do plano hídrico do governo, alertando que não existe uma “solução simples” como a nacionalização. Esta é a posição defendida por Sir Jon Cunliffe, ex-vice-governador do Banco da Inglaterra que foi incumbido pelo governo trabalhista de elaborar um relatório sobre o setor de água. Sua missão era abordar problemas como o escândalo do esgoto, as frequentes interrupções no abastecimento de água potável e a falta de preparo para a seca.

O governo divulgou documento oficial  esta semana, que não considera a alternativa de renacionalização da prestação e adota muitas das sugestões de Cunliffe, incluindo um modelo de supervisão, maior conhecimento técnico em um novo super-regulador e regimes de reestruturação para que as empresas de água resolvam problemas mais rapidamente.

Segundo matéria do The Guardian, ativistas reagiram negativamente ao relatório e afirmaram que os problemas não seriam resolvidos enquanto as empresas de água continuassem a ser geridas com fins lucrativos. O CEO da River Action, James Wallace, declarou: “Nenhuma dessas reformas fará uma diferença significativa a menos que o modelo privatizado fracassado seja enfrentado de frente. A poluição com fins lucrativos é a causa principal desta crise.” Já o ativista da causa da água e ex-vocalista da banda Undertones, Feargal Sharkey, afirmou: “Os ministros não conseguiram compreender a questão fundamental, que é a ganância corporativa. Os únicos que pagarão por isso serão os clientes e quem paga as contas.”

Em outra reportagem, The Guardian informa que as famílias na Inglaterra e no País de Gales terão que desembolsar mais dinheiro, já que as contas de água subirão 5,4%, novamente em abril, com a aprovação pelo regulador Ofwat de planos de gastos recordes em meio à indignação causada pela poluição decorrente de extravasões de esgotos sem tratamento.

Leia mais.


ABCON TEM NOVO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Paulo Roberto de Oliveira, CEO da GS Inima, foi eleito, em dezembro último, presidente do Conselho de Administração da ABCON, a associação brasileira das empresas privadas de saneamento. Em entrevista publicada no site da entidade, ele afirma ser fundamental manter uma agenda permanente com os poderes Legislativo e Executivo, garantindo que o Marco Regulatório do Saneamento em vigor tenha continuidade e seja aplicado de maneira efetiva, garantindo o crescimento econômico do setor e a segurança jurídica de contratos de concessão e PPPs.


PARTICIPE DO II ENCONTRO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS À ÁGUA E AO SANEAMENTO (ENDHAS)

O II Encontro Nacional de Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS) está com inscrições abertas. O evento, que reunirá movimentos sociais, profissionais do setor e acadêmicos, tem como objetivo promover o debate interdisciplinar sobre os desafios e avanços na efetivação dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) no Brasil e na América Latina.

Nesta segunda edição, o ENDHAS consolida-se como um espaço de troca de experiências e articulação para políticas públicas, abordando temas como privatização, racismo ambiental, interseccionalidades no acesso, gestão comunitária da água, mudanças climáticas, entre outros.

As inscrições estão abertas para ouvintes e para quem deseja apresentar trabalhos de cunho científico ou técnico. A programação contará com mesas de debate, oficinas autogestionadas, apresentação de trabalhos e atividades culturais. A programação completa será divulgada posteriormente.

Participe do II ENDHAS e contribua para fortalecer o diálogo em torno dos direitos humanos à água e ao saneamento como pilares da saúde, da dignidade e da justiça social!


ARTIGO QUESTIONA RESULTADOS DA LEI Nº 14.026/2020

Adauto S. do Espírito Santo, associado e apoiador do ONDAS, faz uma análise crítica em artigo publicada pelo site Outras Palavras e reacende o debate sobre os impactos da Lei nº 14.026/2020, apontando que, passados alguns anos de sua implementação, o modelo tem produzido efeitos contrários às promessas de universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário. Segundo o artigo, a Lei, vem se consolidando como um instrumento de estímulo à privatização e à mercantilização de serviços essenciais, aprofundando desigualdades regionais e sociais. Leia o artigo

 

FORTALEÇA A LUTA DO ONDAS EM DEFESA DO DIREITO À ÁGUA!
. Você ainda não é sócio do ONDAS?
ONDAS é constituído por pessoas que acreditam e trabalham pelo saneamento público universal e de qualidade. Seus associados são acadêmicos, pesquisadores, estudantes, trabalhadores do setor, integrantes de movimentos sociais que têm a convicção de que água é um direito, não mercadoria.
Você também pode ser um associado do ONDAS! ?Preencha o formulário e junte-se a nós.


CONFIRA AS EDIÇÕES ANTERIORES DE A SEMANA – clique aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *