ONDAS – Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento

ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Como a privatização da Sabesp foi de trunfo a dor de cabeça para Tarcísio em 2026

Destaques –  29 de novembro a 5 de dezembro de 2025

Emoji Como a privatização da Sabesp foi de trunfo a dor de cabeça para Tarcísio em 2026
2⃣ Privatização da Sabesp por Tarcísio transformou a sede em negócio, denuncia Amauri Pollachi
3⃣ Conta da Sabesp terá de reajuste de 6,11% a partir de janeiro de 2026
4⃣ Copasa: lucro da empresa de água de MG passa de R$ 1 bi em 2025
5⃣ Aqui, o “trem desgoverna”: o ataque de Zema à Copasa
6⃣ Leilão da Compesa tem 15 interessadas de olho nas concessões
7️⃣ Sob protestos, com placar de 21 x 14, vereadores da base de Melo aprovam entrega do Dmae – Porto Alegre
8️⃣ A cada 5 litros, 2 no ralo: desperdício no Brasil deixa de abastecer 50 milhões de pessoas
9️⃣ Mais um relatório de Pedro Arrojo traduzido pelo ONDAS: Governança democrática da água sob uma abordagem baseada em direitos humanos
? Vem aí o II Encontro Nacional dos Direitos Humanos à Água e Saneamento. Faça sua inscrição
Seminário discutirá a regionalização do Saneamento na Bahia
Posse da direção STIUEG – GO
FNU apresenta se segundo Podcast

Emoji
COMO A PRIVATIZAÇÃO DA SABESP FOI DE TRUNFO A DOR DE CABEÇA PARA TARCÍSIO EM 2026

O que antes era tratado como uma das principais vitrines de sua gestão virou motivo de dor de cabeça às vésperas do ano eleitoral, quando Tarcísio poderá disputar a reeleição ou a Presidência da República. Relatórios internos de redes sociais do governo de São Paulo aos quais o Estadão teve acesso citam a privatização da Sabesp como um dos focos de desgaste para o governador nos últimos meses.

O monitoramento de junho traz a Sabesp como um dos temas mais espinhosos para a imagem de Tarcísio nas redes. Naquele mês, segundo o relatório, o governador recebeu críticas pela desestatização após a companhia lançar esgoto sem tratamento no Rio Tietê. A Sabesp afirmou, à época, que foi preciso realizar uma manobra emergencial para diagnóstico e reparo da rede subterrânea.

Em agosto, o tom voltou a ser negativo, com novo relatório dizendo que o primeiro ano da desestatização da Sabesp foi recebido com “críticas em período de baixa nos reservatórios de água da Grande São Paulo e alegações de piora na prestação do serviço”.

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2⃣
PRIVATIZAÇÃO DA SABESP POR TARCÍSIO TRANSFORMOU A SEDE EM NEGÓCIO, DENUNCIA AMAURI POLLACHI

Durante décadas, a Sabesp foi considerada um investimento estável, capaz de lucrar mesmo em crise hídrica e ainda manter alto nível de reinvestimento. Agora, com a privatização pelo governo Tarcísio de Freitas, a lógica se altera: a tendência é distribuir  100% do lucro aos acionistas e a manutenção preventiva perder espaço.

O resultado já aparece na operação. “O objetivo agora é maximizar lucro no menor prazo possível”, diz Amauri Pollachi, especialista em recursos hídricos e membro do ONDAS. Para ele, o padrão observado é claro. “Estamos institucionalizando a falta de água, e isso ainda vai piorar.”

Leia entrevista completa para o Hora do Povo.

3⃣
CONTA DA SABESP TERÁ DE REAJUSTE DE 6,11% A PARTIR DE JANEIRO DE 2026

A tarifa da Sabesp vai sofrer um reajuste de 6,11% no ano que vem. O aumento equivale à correção da inflação nos últimos 16 meses, período usado como referência desde a privatização da empresa.

O aumento foi definido pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) do governo paulista na segunda-feira (1°). Para uma conta de água da tarifa residencial com consumo de 11m³ a 20m³, o custo de mil litros passa de R$ 6,01 para R$ 6,40 por m³.

Antes do processo de privatização, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que a tarifa da companhia não iria aumentar para a população.

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4⃣
COPASA: LUCRO DA EMPRESA DE ÁGUA DE MG PASSA DE R$ 1 BI EM 2025

A estatal, criada na década de 1970, atende 637 municípios mineiros e teve lucro líquido de R$ 1,07 bilhão nos nove primeiros meses deste ano. A oposição argumenta que a desestatização deve gerar aumento de tarifa e precarização do serviço, além de demissões.

A venda da Copasa sempre esteve nos planos do governador Romeu Zema (Novo), que defende que a privatização é necessária para a modernização da empresa, a atração de investimentos e o pagamento da dívida do estado com a União, atualmente em R$ 181 bilhões.

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5⃣
AQUI, O “TREM DESGOVERNA”: O ATAQUE DE ZEMA À COPASA

“Aqui o trem prospera”. Esse é o slogan do governo de Minas. E prospera mesmo, mas não para o povo. O trem que de fato prospera hoje é o trem do silenciamento, que atropela o diálogo e ignora quem será afetado pelas decisões. A prova mais concreta disso foi o fim da obrigatoriedade do referendo para a privatização da Copasa, o único instrumento que garantiria ao povo mineiro o direito de decidir sobre o próprio patrimônio.

Aqui prospera o trem do sucateamento dos serviços públicos, que fragiliza estruturas essenciais e deixa servidores à própria sorte. Prospera o trem do entreguismo, que transforma patrimônio do povo em moeda para agradar o mercado financeiro.

Prospera o trem da privatização, que corre a toda velocidade, sem freio e sem responsabilidade, passando por cima dos direitos dos mineiros em nome dos interesses políticos do governador Romeu Zema.

Leia artigo de Jean Freire, é médico e deputado estadual de Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

6⃣
LEILÃO DA COMPESA TEM 15 INTERESSADAS DE OLHO NAS CONCESSÕES

O governo de Pernambuco foi contatado por 15 empresas interessadas em participar do leilão de concessões parciais da Compesa, segundo Almir Cirilo, secretário estadual de Recursos Hídricos e Saneamento. O leilão será realizado na Bolsa de Valores B3 em São Paulo no dia 18 de dezembro.

Entre as empresas interessadas estão Aegea, BRK Ambiental, Vinci Partners, Pátria e Opportunity. As duas concessões envolvem a MRAE da Região Metropolitana do Recife até a região do Pajeú (150 municípios) e a MRAE do Sertão (24 municípios, incluindo Petrolina). As outorgas mínimas são de R$ 2,2 bilhões para a MRAE2 e R$ 87 milhões para a MRAE1. A área da concessão inclui dois municípios com serviços municipais (Itambé, Jaqueira) e exclui outros dez na mesma situação que podem aderir até a homologação da licitação.

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7️⃣
SOB PROTESTOS, COM PLACAR DE 21 X 14, VEREADORES DA BASE DE MELO APROVAM ENTREGA DO DMAE – PORTO ALEGRE

Na madrugada de quarta para quinta-feira (23), os vereadores e vereadoras da base do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) aprovaram a privatização do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae).

A votação vem uma semana depois da sessão da Câmara de Vereadores que tinha o tema em pauta, mas foi suspensa após a presidente da Casa, vereadora Nádia Gerhard (PL), convocar a Guarda Municipal para barrar um protesto e esta ter agredido manifestantes e parlamentares. O projeto aprovado, de autoria do Executivo, prevê entregar a uma empresa privada a distribuição de água e o tratamento de esgoto da cidade. O texto mantém com a prefeitura a captação e o tratamento de água, a drenagem urbana e os sistemas de proteção contra cheias. O Sindicato dos Municipários (Simpa) e outras entidades têm apontado que a experiência de privatização da água em outras cidades mostra que a tendência é de aumento das tarifas e piora nos serviços.

Com a aprovação, acelera-se um processo que deve demorar cerca de um ano para ser concluído, segundo a Prefeitura. Nesse tempo, haverá modelagem da privatização pelo BNDES, a realização de audiências públicas, a análise pelo Tribunal de Contas do Estado e a publicação do edital. Nesse período, a luta para barrar a privatização deve continuar.

O site Esquerda Diário destaca que “Ao longo da sessão, a base de Melo reiterou inúmeras vezes que não se trata de uma privatização e sim uma concessão. A única diferença reside no fato de que a concessão possui um prazo para a empresa poder lucrar. No caso o prazo é entre 30 e 35 anos, podendo haver renovação. A desfaçatez e cinismo da direita em tentar dizer que não se trata de uma privatização só não é maior do que o tempo que a Câmara garantiu para uma única empresa dominar a distribuição da água na cidade.”

Votaram a favor da privatização todos os vereadores e vereadoras do PL, MDB, Novo, Republicanos, PP, Podemos, Cidadania e PSD. Votaram contra todos os parlamentares do PT, do Psol, do PCdoB e do PDT. No caso do PSDB, foram dois votos favoráveis e um contrário.

Saiba mais. Veja depoimentos de Maria do Rosário e Miguel Rosseto a respeito.

8️⃣
A CADA 5 LITROS, 2 NO RALO: DESPERDÍCIO NO BRASIL DEIXA DE ABASTECER 50 MILHÕES DE PESSOAS

As perdas atuais das concessionárias de água são de 40,31%. O considerável “aceitável”, seria de 25%, ou seja, um quarto de tudo que se produz, ainda assustador. A redução da marca atual para a meta de 25% representaria uma economia coletiva de R$ 34,6 bilhões até 2033, graças à redução de custos operacionais e de obras emergenciais. Para se ter uma ideia, com esse valor seria possível construir 19 novas Unidades Básicas de Saúde no país.

Os dados, comparando o retrato do saneamento básico no país entre 2019 e 2023, mostra que a região Sudeste, maior centro econômico nacional, vem na contramão da evolução, aumentando suas perdas em 2,5 pontos percentuais. Em outras palavras, mesmo onde há mais investimentos e tecnologia, a situação tem piorado.

O coordenador do ONDAS Amauri Pollachi avalia que o desperdício é resultado de uma falta de prioridade estrutural no combate às perdas, abandonado em nome da redução de custos e da maximização do lucro: “Se você reduz investimentos, atuação, atenção, a disponibilidade de gente capacitada, as perdas acabam crescendo. A rede envelhece, a pressão aumenta, o desgaste aumenta — e o desperdício só piora”.

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9️⃣
MAIS UM RELATÓRIO DE PEDRO ARROJO TRADUZIDO PELO ONDAS: GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA DA ÁGUA SOB UMA ABORDAGEM BASEADA EM DIREITOS HUMANOS

“Os bilhões de indivíduos empobrecidos e marginalizados sem acesso à água potável não representam uma oportunidade de negócio, mas um desafio democrático global cujo enfrentamento eficaz exige dos países a promoção de estratégias adequadas baseadas em direitos humanos.”

É o que afirma Pedro Arrojo em seu relatório apresentado à Assembleia Geral da ONU em julho deste ano, que tem como tema a Governança democrática da água sob uma abordagem baseada em direitos humanos. Nele o Relator Especial para os direitos humanos à água potável e ao esgotamento sanitário defende que os ecossistemas de água doce e aquáticos devem ser reconhecidos como bens comuns e ativos vitais para a sobrevivência, coexistência e coesão das sociedades humanas, junto com os direitos humanos, especialmente os relacionados à água potável e ao esgotamento sanitário.

A gestão eficaz dos diversos valores, funções e usos desses ecossistemas com base nesses princípios representa um desafio democrático significativo. Isso exige estabelecer um domínio público sobre a água doce e os ecossistemas aquáticos, reconhecendo que estes são bens comuns que exigem governança transparente. Essa governança deve envolver responsabilização, ampla participação social – incluindo foco em garantir a participação igualitária das mulheres – e respeito aos modelos comunitários existentes.

Acesse aqui o relatório traduzido para o português.

Leia também a tradução do relatório de Pedro Arrojo tratando do nexo entre água e economia.

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VEM AÍ O II ENCONTRO NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS À ÁGUA E SANEAMENTO. FAÇA SUA INSCRIÇÃO

O II Encontro Nacional dos Direitos Humanos à Água e Saneamento (II ENDHAS) será realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Escola Politécnica, em Salvador, consolidando-se como um espaço de diálogo entre a universidade, os movimentos sociais e o setor do saneamento.

O evento já conta com o apoio da Reitoria da UFBA, na pessoa do Reitor Prof. Paulo César Miguez de Oliveira, que convidou a organização a integrar o calendário oficial de comemorações dos 80 anos da Universidade, a serem celebrados em 2026 — uma importante oportunidade de unir ciência, extensão e compromisso social.

Diversas agendas institucionais estão sendo articuladas para garantir a melhor infraestrutura e acolhimento aos participantes. Reuniões com a Diretoria da Escola Politécnica e com a Pró-Reitoria de Extensão serão realizadas para definir os espaços, recursos e parcerias que possibilitarão a realização de um evento acessível para todos.

As inscrições já estão abertas! Acesse: https://www.even3.com.br/ii-encontro-dos-direitos-humanos-a-agua-e-ao-saneamento-630158

No formulário, é possível indicar necessidades específicas de acessibilidade e restrições alimentares, para que todos possam participar plenamente. O II ENDHAS é um evento de todos e todas — nos encontramos em março de 2026, em Salvador!


SEMINÁRIO DISCUTIRÁ A REGIONALIZAÇÃO DO SANEAMENTO NA BAHIA

No próximo dia 10 de dezembro (quarta feira), das 08h30 às 18h, na Sede do Sindae Bahia, acontecerá o seminário: A regionalização do Saneamento na Bahia e os impactos para a Universalização dos serviços. Os organizadores são: ASSEMAE, ABES BA, Ondas, Sindae, Observatório Saneamento Bahia e Absam e apoio do Crea Bahia

O evento objetiva fazer uma discussão sobre as propostas de regionalização do saneamento no Estado da Bahia, com a avaliação dos diferentes modelos propostos e seus impactos na gestão dos SAAEs. O encontro também busca fazer um debate sobre a legitimidade jurídica dos modelos perpassando pela autonomia municipal, além da discussão dos recentes avanços do governo do estado da Bahia para inclusão dos serviços municipais pela Embasa.

O ONDAS será representado por Marcos Montenegro, Coordenador de Comunicação, e o tema da sua palestra será: Balanço da regionalização do saneamento no Brasil e privatizações nas empresas prestadoras do Nordeste brasileiro (estaduais e municipais). A ASSEMAE será representada, no mesmo painel, por Esmeraldo Santos.

Aqui está uma versão em texto corrido e mais resumida, mantendo todas as informações essenciais:

Audiência Pública sobre regionalização do saneamento na Bahia

A Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS) informa a realização de audiência pública, etapa complementar da consulta referente ao Anteprojeto de Lei Complementar que altera a Lei Complementar Estadual nº 48/2019, sobre a organização, estrutura e governança das Microrregiões de Água e Esgoto da Bahia. A audiência será realizada no dia 9 de dezembro de 2025, às 14h, em formato híbrido, com participação presencial na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), em Salvador, e transmissão ao vivo pelo site institucional da SIHS (www.sihs.ba.gov.br). Os documentos técnicos relativos à consulta estão disponíveis no mesmo endereço eletrônico.

É fundamental a participação de representantes da sociedade civil, dos municípios e dos trabalhadores, uma vez que a discussão envolve a compreensão dos diferentes modelos propostos e seus impactos na gestão dos SAAEs, além da análise da legitimidade jurídica desses modelos em relação à autonomia municipal. Também é importante conhecer quais são as intenções do governo estadual quanto à preservação da Embasa como empresa pública, de modo a evitar que seja incorporada a processos de privatização, realidade que já vem sendo observada em diversas regiões do país.


POSSE DA DIREÇÃO STIUEG – GO

A nova Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás – STIUEG – e Diretores Regionais de Base gestão 2025 – 2028 tomarão posse no dia 11/12/2025. O STIUEG, que é associado ao ONDAS, tem cumprido papel de destaque na luta em defesa do saneamento público e contra todas as formas de privatização. A Coordenação do ONDAS deseja muito sucesso à nova direção.


FNU APRESENTA SE SEGUNDO PODCAST

No segundo episódio do Olhar Urbanitário, o entrevistado foi Edson Aparecido da Silva, assessor de saneamento da FNU e secretário-executivo do ONDAS. No episódio Edson explica como a privatização do saneamento afeta diretamente os trabalhadores e o que muda na vida da população quando o saneamento vira negócio. Ouça.

 

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