Destaques – 17 a 23 de janeiro de 2026
Gestão da escassez’ da Sabesp privatizada deixa muitos moradores de SP sem água
Crise hídrica: Alerta total em SP
Governo Tarcísio ignora riscos e corta 34% do Orçamento para segurança hídrica em 2026
Sabesp conclui aquisição de 74,9% da Emae por R$ 682,6 milhões
Participe do II Encontro Nacional de Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS)
Prefeita de Aracaju cobra soluções da Iguá para problemas no saneamento
Estudo da Universidade das Nações Unidas afirma que mundo entrou na era da falência hídrica global
São Lourenço do Sul cria departamento municipal de saneamento
Concessão de serviços de água e esgoto de Pernambuco deve ser homologada na próxima semana. Pressão sobre os nove prefeitos que têm serviços municipais
Na Inglaterra, justificativa de obras para aumentar as contas é contestada
Zé Dirceu em vídeo: O que significa privatizar?
Sabesp: Quando a água passa a ser tratada como ativo financeiro
Estados Unidos abandonam organizações da ONU e entidades internacionais; saíram do Conselho de Direitos Humanos da ONU e da ONU Água
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GESTÃO DA ESCASSEZ’ DA SABESP PRIVATIZADA DEIXA MUITOS MORADORES DE SP SEM ÁGUA
Segundo Amauri Pollachi, especialista em recursos hídricos e membro da coordenação do ONDAS, o que ocorre é uma gestão deliberada da escassez promovida pela Sabesp privatizada
“O que a Sabesp está fazendo é uma gestão da oferta, reduzindo a oferta de água para a população. Atualmente, há uma prática de se reduzir essa oferta de água durante 10 horas a cada dia. Isso está afetando fundamentalmente a população que reside em locais mais altos da região metropolitana de São Paulo e mais distantes dos reservatórios”, explica o especialista.
Pollachi aponta que, mesmo quando o fornecimento é “restabelecido”, a pressão é insuficiente. “Mesmo após as 10 horas de restrição de oferta de água por parte da Sabesp, muita gente está recebendo o chamado fiozinho de água. Ou seja, aquela água insuficiente para o seu consumo, que sequer chega em uma torneira junto do medidor de água.”
Leia reportagem completa no Brasil de Fato.
CRISE HÍDRICA: ALERTA TOTAL EM SP
O conselheiro do ONDAS Amauri Pollachi falou com a reportagem do Melhor da Noite, da Band TV, sobre a crise hídrica pela qual passa o estado de SP. “Ela é muito pior do que aquela que vimos em 2014”, alerta o especialista, que ainda fala sobre o erro de diminuir a pressão noturna nas casas. “Não deveria ser a primeira medida”.
Confira a entrevista completa que está a partir dos 34:20 deste vídeo.
GOVERNO TARCÍSIO IGNORA RISCOS E CORTA 34% DO ORÇAMENTO PARA SEGURANÇA HÍDRICA EM 2026
A segurança hídrica de São Paulo terá menos recursos em 2026. Em meio a uma crise hídrica que caminha para se tornar a mais grave da história do estado, paralelamente a chuvas destrutivas, que já mataram ao menos 11 pessoas desde o início do verão, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) resolveu cortar 34,6% dos recursos destinados a ações na área, em comparação com o montante reservado no ano passado. O orçamento estadual, aprovado pela Assembleia Legislativa no mês passado, prevê R$ 1,37 bilhão para o setor este ano, em comparação com os R$ 2,1 bilhões de 2025.
Para Amauri Pollachi, conselheiro do Ondas e ex-servidor da Sabesp e da extinta Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos, o arrocho orçamentário na área revela que “o governo do Estado não tem uma política clara de atuação em termos de segurança hídrica”.
“Reduzir o orçamento da segurança hídrica no ano em que a gente talvez tenha pior crise hídrica deste século é uma contradição absurda”, aponta Pollachi, um crítico qualificado da privatização da Sabesp.
Confira a reportagem da Agência Pública.
SABESP CONCLUI AQUISIÇÃO DE 74,9% DA EMAE POR R$ 682,6 MILHÕES
A Sabesp privatizada informou, em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (21/01), a conclusão da operação de aquisição de 11.009.550 ações ordinárias da Emae – Empresa Metropolitana de Águas e Energia. O volume adquirido representa aproximadamente 74,9% do capital social votante e 29,79% do capital total da companhia
PARTICIPE DO II ENCONTRO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS À ÁGUA E AO SANEAMENTO (ENDHAS)
O II Encontro Nacional de Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS) está com inscrições abertas. O evento, que reunirá movimentos sociais, profissionais do setor e acadêmicos, tem como objetivo promover o debate interdisciplinar sobre os desafios e avanços na efetivação dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) no Brasil e na América Latina.
Nesta segunda edição, o ENDHAS consolida-se como um espaço de troca de experiências e articulação para políticas públicas, abordando temas como privatização, racismo ambiental, interseccionalidades no acesso, gestão comunitária da água, mudanças climáticas, entre outros.
As inscrições estão abertas para ouvintes e para quem deseja apresentar trabalhos de cunho científico ou técnico. A programação contará com mesas de debate, oficinas autogestionadas, apresentação de trabalhos e atividades culturais. A programação completa será divulgada posteriormente.
- Período de inscrição de trabalhos: já encerrado
- Período de inscrição para participar como ouvinte: a partir de 10/10/2025
- Data do encontro: de 18 a 20 de março de 2026
- Local: Escola Politécnica da UFBA (Salvador – BA)
- Mais informações e inscrições: https://www.even3.com.br/ii-encontro-dos-direitos-humanos-a-agua-e-ao-saneamento-630158/
Participe do II ENDHAS e contribua para fortalecer o diálogo em torno dos direitos humanos à água e ao saneamento como pilares da saúde, da dignidade e da justiça social!
PREFEITA DE ARACAJU COBRA SOLUÇÕES DA IGUÁ PARA PROBLEMAS NO SANEAMENTO
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, se reuniu na tarde desta quarta-feira, 21, com o gerente institucional da Iguá, Eduardo Lopes, que ouviu as demandas apresentadas pela prefeita e pela equipe do município. Entre os principais pontos abordados estiveram as constantes reclamações da população, como serviços de saneamento inacabados, demora na execução das obras, falta de água em alguns bairros, problemas no esgotamento sanitário, faturas consideradas altas, vazamentos, buracos deixados nas vias públicas e dificuldades nos canais de comunicação com a empresa.
Durante o encontro, a prefeita Emília Corrêa destacou que a gestão municipal tem cobrado responsabilidade e maior alinhamento da Iguá para reduzir os transtornos enfrentados pela população.
A Iguá Sergipe é concessionária do grupo privado Iguá Saneamento que venceu leilão realizado em 04/09/2024, pagando um ônus pela outorga de R$ 4,54 bilhões (com agio122.63% em relação ao valor mínimo) pela concessão dos serviços de água e esgoto em 74 municípios sergipanos. A concessão não inclui a produção de água tratada nos maiores municípios que continua com a DESO, que também ficou com o risco da escassez de água sempre presente no Nordeste ainda mais em tempos de mudança climática.
ESTUDO DA UNIVERSIDADE DAS NAÇÕES UNIDAS AFIRMA QUE MUNDO ENTROU NA ERA DA FALÊNCIA HÍDRICA GLOBAL
Lagos, rios e aquíferos estão em colapso, colocando em risco produção mundial de alimentos; especialista afirma que situação pode impulsionar conflitos sociais; em muitas regiões, o que antes eram secas ocasionais transformaram-se em escassez permanente de água.
O abastecimento de água no mundo entrou numa era de falência, após décadas de uso excessivo, poluição e perturbações causadas pelas mudanças climáticas.
Esse é o quadro trágico apresentado no relatório “Falência Hídrica Global”, lançado nesta terça-feira pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas.
Saiba mais. A íntegra do relatório em inglês está disponível aqui.
SÃO LOURENÇO DO SUL CRIA DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE SANEAMENTO
A Prefeitura de São Lourenço do Sul (RS) anunciou a criação de um prestador municipal de saneamento, iniciativa que busca fortalecer a estrutura técnica e institucional do município para fiscalização, acompanhamento e proposição de medidas no setor. O novo órgão, o Departamento Municipal de Saneamento (DESAN), surge em um contexto de crescente insatisfação com os serviços prestados pela Corsan, atualmente privatizada e sob controle da Aegea, maior holding privada de saneamento do país.
Recentemente, o prefeito Zelmute Marten (PT) encaminhou à AGERGS o pedido de caducidade do contrato da CORSAN/AEGEA, após sucessivas falhas no abastecimento de água que afetaram moradores e setores produtivos. A formalização do DESAN e a entrega do pedido de caducidade, reforçam a postura firme da administração municipal diante da crise no serviço.
Empresários, moradores e autoridades relataram prejuízos significativos e cobraram transparência, planejamento e melhorias urgentes por parte da concessionária.
A Prefeitura reafirmou que seguirá atuando com determinação na defesa do interesse público e na garantia da qualidade dos serviços essenciais prestados à população.
CONCESSÃO DE SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO DE PERNAMBUCO DEVE SER HOMOLOGADA NA PRÓXIMA SEMANA. PRESSÃO SOBRE OS NOVE PREFEITOS QUE TÊM SERVIÇOS MUNICIPAIS
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), pretende homologar os contratos de concessão de serviços dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada, na próxima semana, encaminhando a conclusão do processo modelo de concessão.
A privatização foi organizada em dois blocos, o Bloco 1 formado por 24 municípios do Estado de Pernambuco, na Microrregião de Água e Esgoto (MRAE) do Sertão, e o Bloco 2 com 150 municípios + o Distrito de Fernando de Noronha no Estado de Pernambuco, todos integrantes da Microrregião RMR Pajeú. No bloco 2, estão nove municípios: Palmares, Gameleira, Xexéu, Catende, Iati, Inajá, Água Preta, Cortês e Amaraji, com serviços municipais que necessitam de autorização das câmaras municipais para concederem seus serviços.
Os prefeitos destes municípios estão sendo seduzidos ou chantageados com a participação nas outorgas pagas pelos concessionários privados e ameaçados com a possibilidade responder por improbidade administrativa caso as metas de universalização instituídas pela lei 14.026/2020 não sejam cumpridas. Uma falsidade porque as metas da lei 14.026 só se aplicam a serviços contratados, o que não é o caso de serviços prestados por entes do titular, como é o caso dos nove municípios.
Desinformar a população também faz parte do jogo. O blog afirma que “Todas essas cidades têm serviço de fornecimento de água e não cobram nada aos moradores. Devido a isso, prefeitos e vereadores receiam que venham a ter desgaste político quando as contas chegarem às residências.” Isso não é verdade! As autarquias cobram tarifas pelos serviços prestados.
NA INGLATERRA, JUSTIFICATIVA DE OBRAS PARA AUMENTAR AS CONTAS É CONTESTADA
Em dezembro de 2024, a reguladora Ofwat concedeu aos prestadores privados dos serviços de água e esgoto da Inglaterra permissão para aumentar as contas em uma média de 36% entre 2025 e 2030, para viabilizar um investimento de £ 104 bilhões em tubulações e estações de tratamento de água, em comparação com £ 51 bilhões nos últimos cinco anos. A River Action, organização que luta por cursos d’água mais limpos, chegou a entrar com uma ação judicial contra a Ofwat, argumentando que as famílias estão pagando duas vezes por investimentos para conter vazamentos de esgoto, investimentos esses que deveriam ter sido financiados com as contas anteriores. A própria Ofwat, responsável pelo subinvestimento, está prestes a ser extinta, já que o Partido Trabalhista está implementando um novo sistema regulatório.
“Acreditamos que as empresas de abastecimento de água já receberam recursos mais do que suficientes para resolver os problemas”, afirmou James Wallace, diretor executivo da River Action. Ele e outros argumentam que houve desvio de dinheiro por parte de investidores anteriores, na forma de dividendos excessivos pagos aos acionistas.
A posição das empresas privadas é exatamente o contrário: “Por que houve esse subinvestimento? As contas deveriam ter sido cerca de 25% mais altas do que seriam se tivessem acompanhado a inflação. Não vemos investimentos suficientes desde 2010.”, é o que pergunta Stuart Colville, vice-diretor executivo da Water UK.
Com informações de matéria do jornal The Guardian.
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ZÉ DIRCEU EM VÍDEO: O QUE SIGNIFICA PRIVATIZAR?
O que significa privatizar? Privatizar não é sinal de “modernização”, é fazer o trabalhador pagar pelo que já é seu por direito, como explica Zé Dirceu neste vídeo.
Educação, saúde, água, lazer, cultura, segurança e até a aposentadoria acabam virando mercadoria e o que hoje é garantido se transforma em risco.
Quando o sistema quebra, chamam o Estado de volta. Essa luta é sobre a vida real, o bolso e o futuro do povo.
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SABESP: QUANDO A ÁGUA PASSA A SER TRATADA COMO ATIVO FINANCEIRO
No Instagram, Filipe Boni discute a privatização da Sabesp, afirmando que não mudou só a gestão da água, mudou o critério de decisão. Segundo ele, desde 2024, o saneamento passou a operar sob lógica financeira: geração de caixa previsível, controle de custos e retorno ao acionista. Isso cria uma diferença central entre investir em infraestrutura física (caro, lento e invisível) e investir em mecanismos de faturamento, que retornam mais rápido.
Trocar redes antigas e reduzir vazamentos reais custa capital. Ajustar pressão, expandir “economias” faturáveis e terceirizar operações custa menos. Esse modelo ajuda a entender por que as perdas seguem altas e por que a escassez aparece primeiro nas periferias. Quando o acesso à água encanada é submetido ao mercado, deixa de ser distribuída por necessidade e passa a ser gerida por rentabilidade. Esse debate não é ideológico. É estrutural … e impacta quem fica sem água quando o sistema opera no limite.
Assista ao vídeo de Filipe Boni.
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ESTADOS UNIDOS ABANDONAM ORGANIZAÇÕES DA ONU E ENTIDADES INTERNACIONAIS; SAÍRAM DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU E DA ONU ÁGUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 07 de janeiro passado, determinou que cessem a participação e o financiamento pelos EUA de 66 organizações internacionais, sendo 31 delas parte da ONU e 35 não pertencentes às Nações Unidas. O governo norte-americano argumentou que a saída destes organismos se deve a operarem “contra os interesses nacionais dos EUA, contra a segurança, a prosperidade econômica ou a soberania dos EUA”. Sob essas justificativas, os EUA estão saindo das comissões, painéis e agências das Nações Unidas que tem como foco questões climáticas, trabalhistas e outras.
Trump já havia ordenado a retirada dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da Organização Mundial da Saúde (OMS), da UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura) e da UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina).
Neste janeiro, entre outras, os EUA abandonaram a ONU Água, a ONU Oceanos e a ONU Habitat – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos. Saíram também do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres).
Segundo nota da Casa Branca, o presidente Trump está encerrando a participação dos EUA em organizações internacionais que minam a independência americana e desperdiçam o dinheiro dos contribuintes em agendas ineficazes ou hostis, pois muitas dessas entidades promovem políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA.
Saiba mais lendo Wagner Sousa em Depois do Multilateralismo Americano no Boletim do Observatório Internacional do Século XXI.
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