ONDAS – Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento

ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Redução da pressão da água pela Sabesp é ‘Robin Hood às avessas’, critica especialista do ONDAS

Destaques –  23 a 29 de agosto de 2025

Emoji Redução da pressão da água pela Sabesp é ‘Robin Hood às avessas’, critica especialista do ONDAS
2⃣ Em entrevista à Folha de S. Paulo, coordenador do ONDAS afirma que redução da pressão de água é medida discriminatória
3⃣ À Justiça, Ceagesp diz que nova taxa da Sabesp vai encarecer alimentos
4⃣ Privatização do saneamento e o papel do BNDES
5⃣ Número de municípios com serviços privatizados cresce 525% em cinco anos
6⃣ Drauzio Varella: Falta de saneamento é problema de saúde pública
7️⃣ Água: o que podemos aprender com Roma
8️⃣ Funasa participa do Alinhamento Estratégico 2025-2026 do Ministério da Saúde e reforça papel do saneamento para a saúde pública
9️⃣ Seca se agravou no Nordeste em julho, informa Monitor das Secas da Ana
? O escândalo da água mineral Perrier que preocupa a França
Thames Water promete pagar o equivalente R$ 900 milhões em multas

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REDUÇÃO DA PRESSÃO DA ÁGUA PELA SABESP É ‘ROBIN HOOD ÀS AVESSAS’, CRITICA ESPECIALISTA DO ONDAS

A redução da pressão da água anunciada nesta terça-feira (26) pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para conter os efeitos da estiagem no estado penaliza de forma desigual a população, avalia o coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS) Amauri Pollachi. A medida entra em vigor na quarta-feira (27) em toda a região metropolitana da capital paulista, com a justificativa de preservar os reservatórios, que estão com apenas 38,4% da capacidade.

“Eu diria que essa medida é um Robin Hood às avessas, em que você privilegia as áreas mais abastadas em detrimento de um atendimento regular para a população mais pobre da região metropolitana de São Paulo”, afirma o especialista, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, citando o personagem da literatura inglesa que tirava dos ricos para dar aos pobres.

Saiba mais.

2⃣
EM ENTREVISTA À FOLHA DE S. PAULO, COORDENADOR DO ONDAS AFIRMA QUE REDUÇÃO DA PRESSÃO DE ÁGUA É MEDIDA DISCRIMINATÓRIA

A redução de pressão tem sido alvo de críticas ao longo dos anos, com queixas de falta d’água feitas por moradores em locais afastados dos grandes centros e dos reservatórios. Para o coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), Amauri Pollachi, a medida é discriminatória e tende a penalizar populações de áreas mais pobres, enquanto poupa água para áreas centrais, próximas dos reservatórios.

“Agora com essa amplitude maior, vai continuar a afetar as pessoas de baixa renda nas periferias com maior gravidade. Na minha experiência prática de gestor de abastecimento metropolitano por dez anos na Sabesp, o pessoal dessas regiões leva cerca de 50% de tempo a mais para a regularização, o que dá praticamente 12 horas.”

Isso ocorre, diz Pollachi, porque a regularização da pressão demora a chegar nas pontas dos sistemas de abastecimento, o que prejudica os moradores que preferem conectar equipamentos como máquina de lavar direto na ligação de água, para conseguir mais pressão (lei reportagem completa aqui).

Amauri, em outra entrevista à Folha de SP, afirma que o estado deveria retomar um programa de incentivo à redução do consumo por meio de descontos na conta para quem reduz o consumo, assim como o aumento no caso de quem gasta mais água.

A medida foi adotada durante o período de 2014 e 2015, com diferentes faixas de redução e aumento na conta, proporcionais às quantidades gastas a mais ou a menos. “Isso foi extremamente eficaz.” Para o especialista, as propostas para o futuro não podem ser concentradas na busca por novos reservatórios. “Não dá para ficar trazendo água para abastecer São Paulo. Se trouxer do Vale do Ribeira, são bilhões de reais. Se trouxer de Barra Bonita, são outros bilhões.”

Ele defende mais medidas de conscientização do consumo, além da ampliação de cobertura do saneamento em geral, incluindo tratamento de esgoto, e o reúso de água.

3⃣
À JUSTIÇA, CEAGESP DIZ QUE NOVA TAXA DA SABESP VAI ENCARECER ALIMENTOS

O aumento de 98% na conta de água pode tornar o preço da banana, da batata, da cenoura, da cebola e do alho 12% mais caro na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, do governo federal.

A estimativa consta da ação aberta pela estatal federal contra a Sabesp, companhia paulista privatizada em julho de 2024. Em abril deste ano, a empresa de abastecimento de água anunciou aumento de 98% na conta da Ceagesp. A cobrança se deu pelo fim de uma taxa especial atribuída a grandes consumidores. Em resposta, a Ceagesp entrou com uma ação civil pública.

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4⃣
PRIVATIZAÇÃO DO SANEAMENTO E O PAPEL DO BNDES

Durante a Plenária Geral Estatutária Anual da FNU, o assessor de saneamento da FNU e secretário-executivo do ONDAS, Edson Aparecido da Silva, apresentou uma análise contundente sobre o papel do BNDES no avanço da privatização do saneamento no Brasil.

Segundo Edson, o banco não apenas financia, mas elabora os projetos de concessão e privatização, definindo formatos, prazos e condições que favorecem grandes grupos privados e fragilizam a gestão pública.

Até agora, sete estados já entregaram total ou parcialmente seus serviços à iniciativa privada, e outros sete estados e um município estão com processos em andamento — todos com modelagem do BNDES.

Essa estratégia concentra o setor nas mãos de poucos, reduz o controle social e ameaça o direito humano à água, deixando comunidades vulneráveis ainda mais expostas à exclusão e ao aumento de tarifas.

O alerta é claro: a expansão desse modelo, sem debate público e sem garantias de universalização, compromete empregos, enfraquece empresas públicas e coloca em risco o acesso à água e ao esgoto como direitos humanos.

“Precisamos enfrentar o discurso oficial e construir alternativas que mantenham o saneamento sob gestão pública e com participação social efetiva”, defendeu Edson.

Leia a apresentação completa.

5⃣
NÚMERO DE MUNICÍPIOS COM SERVIÇOS PRIVATIZADOS CRESCE 525% EM CINCO ANOS

O número de municípios atendidos por empresas privadas de saneamento cresceu 525% nos últimos cinco anos. Em 1.820 municípios, cerca de 1/3 dos que existem no Brasil, esses serviços são prestados em regime de concessão plena ou parcial ou com contratos de parceria público-privada.

Os dados são do Panorama da Participação Privada no Saneamento, divulgado nesta segunda-feira (25) pela Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon Sindcon).

O crescimento está relacionado com a entrada em vigor, em 2020, da Lei 14.026 de 2020, que promoveu a abertura do mercado de prestação dos serviços públicos de saneamento básico para o setor privado.

Saiba mais.

6⃣
DRAUZIO VARELLA: FALTA DE SANEAMENTO É PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

Bactérias, vírus e parasitas: a água contaminada pode causar doenças graves, mas que seriam evitáveis com acesso universal à água de qualidade.

No vídeo, o dr. Drauzio fala sobre os impactos da falta de saneamento básico e destaca doenças associadas a essa realidade, como febre tifoide, leptospirose e cólera.

Assista.

7️⃣
ÁGUA: O QUE PODEMOS APRENDER COM ROMA

Caminhar por Roma é encontrar história em cada esquina, mas também água. Não apenas nos monumentais aquedutos imperiais ou nas fontes barrocas das praças centrais, mas em pequenas estruturas de ferro fundido que jorram água potável 24 horas por dia: os nasoni (narigões, em tradução livre). Com mais de 2.500 unidades espalhadas pela cidade, essas fontes oferecem água gratuita a quem passe por ali, de moradores a turistas.

Desde o Império, o bem é universal, parte da vida coletiva e da paisagem urbana. Que lições isso ensina ao Brasil, onde avançam juntas a privatização (com recursos públicos) e a precariedade dos serviços?

Leia artigo de Tamara Zambiasi.

8️⃣
FUNASA PARTICIPA DO ALINHAMENTO ESTRATÉGICO 2025-2026 DO MINISTÉRIO DA SAÚDE E REFORÇA PAPEL DO SANEAMENTO PARA A SAÚDE PÚBLICA

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), vinculada ao Ministério da Saúde, participou no sábado (16/08), em Brasília, do Alinhamento Estratégico 2025-2026, evento que reuniu o ministro Alexandre Padilha, secretários, dirigentes de autarquias e fundações vinculadas, em torno da construção conjunta dos 15 Objetivos Estratégicos que nortearão a pasta nos próximos dois anos.

Durante as discussões, no mural de apresentação dos participantes, o presidente Alexandre Motta reafirmou o compromisso da Funasa em reduzir o déficit de instalações sanitárias que ainda atinge mais de 1 milhão de residências brasileiras, impactando diretamente cerca de 4 milhões de pessoas. Já o diretor José Antônio Ribeiro destacou a prioridade em institucionalizar o Programa Nacional de Saneamento Rural (PNSR), como contribuição estratégica para reduzir desigualdades históricas e ampliar o acesso a água potável e esgotamento sanitário em áreas rurais e comunidades tradicionais.

Saiba mais.

9️⃣
SECA SE AGRAVOU NO NORDESTE EM JULHO, INFORMA MONITOR DAS SECAS DA ANANa Região Nordeste, em julho, devido à persistência de anomalias negativas de ocorrências houve piora da situação de seca em quase todos os estados, marcada especialmente pelo aumento da área com seca grave (S2) no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, além da acentuação da seca, que passou de grave (S2) para extremos (S3) no sudeste do Piauí, norte e centro da Bahia e extremo oeste pernambucano.

Saiba mais sobre secas nas outras regiões do país.

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O ESCÂNDALO DA ÁGUA MINERAL PERRIER QUE PREOCUPA A FRANÇA

Empresas francesas multibilionárias de água mineral passaram a ser foco de atenção devido às mudanças climáticas e às crescentes preocupações com os impactos ambientais do setor.

A questão é se algumas das marcas mundialmente famosas, principalmente a icônica Perrier, podem continuar se identificando como “água mineral natural”.

A decisão sobre o caso da Perrier deve sair nos próximos meses, após revelações da imprensa francesa sobre sistemas de filtragem ilícitos amplamente empregados no setor, aparentemente devido a preocupações com a contaminação da água, após anos de seca relacionados às mudanças climáticas.

“Este, de fato, é o nosso ‘Water-gate'”, afirma Stéphane Mandard, em referência ao escândalo de corrupção que abalou os Estados Unidos nos anos 1970 e à palavra water (“água”, em inglês). Ela conduziu as investigações para o jornal francês Le Monde.

Saiba mais.


THAMES WATER PROMETE PAGAR O EQUIVALENTE R$ 900 MILHÕES EM MULTAS

Na Inglaterra, a maior empresa privada de saneamento fechou um plano com o regulador do setor para pagar multas devidas no valor de £ 123 milhões (cerca de R$900 milhões), enquanto corre para garantir financiamento para evitar a nacionalização temporária. A empresa de serviços públicos, que atende 16 milhões de usuários em Londres e no sudeste do País, está tentando fechar um acordo para evitar o colapso.

A empresa de serviços públicos sobrecarregada de dívidas foi multada em £ 104 milhões pela Ofwat em maio por violações ambientais envolvendo vazamentos de esgoto, após não operar e gerenciar suas estações de tratamento e redes de águas residuais de forma eficaz. Ao mesmo tempo, uma multa adicional de £ 18,2 milhões foi aplicada à Thames por violar as regras de dividendos, a primeira penalidade desse tipo no setor de água. A Ofwat afirmou que a empresa havia pago dinheiro aos investidores, apesar de ter ficado aquém dos seus serviços aos clientes e de seu histórico ambiental.

Leia mais no The Guardian.

 

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