Destaques – 2 a 8 de agosto de 2025
Sem disputa, Aegea leva último bloco de saneamento no Pará e se consolida na liderança do oligopólio privado no país
Pará estuda antecipar atuação de empresa privada no saneamento para antes da COP3
Preço da água em Sergipe aumenta: Iguá reajusta tarifa em quase 8%
Uez rechaça privatização do Samae de Caxias do Sul: “Enquanto estivermos na gestão, seguiremos contra”
Copasa vai apoiar processo de privatização nas discussões com a Assembleia Legislativa, diz diretor financeiro
Em BH, ONDAS participa de Seminário Popular Contra Privatização de Estatais Mineiras
Justiça rejeita liminar da concessionária privada em ação contra o Município de Orlândia (SP)
Um ano após a privatização da Sabesp: vazamentos, poluição, tarifas em alta e lucros recordes
Multas à Sabesp já somam quase R$ 23 milhões por vazamento de esgoto da Estação Elevatória de Pinheiros, na Zona Oeste de SP
Mobilização contra a privatização do DMAE de Porto Alegre continua; próxima reunião será dia 13 de agosto
ONG inglesa processa ministro por omissão em relação à Thames Water
Última chance para o Tratado global sobre a poluição plástica
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SEM DISPUTA, AEGEA LEVA ÚLTIMO BLOCO DE SANEAMENTO NO PARÁ E SE CONSOLIDA NA LIDERANÇA DO OLIGOPÓLIO PRIVADO NO PAÍS
Como já havia ocorrido com a licitação dos outros três blocos de municípios do Pará, a Aegea, sem qualquer concorrente, venceu nesta terça-feira o leilão para concessão dos serviços de saneamento do Bloco C no Pará, que abrange 27 municípios das regiões do Baixo Amazonas e Sudoeste do estado. O contrato prevê R$ 3,59 bilhões em investimentos pelos próximos 40 anos. O leilão (sic) foi realizado na sede da B3, em São Paulo, tendo sido estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Tanto os serviços prestados pela COSANPA quanto os prestados por SAAEs serão privatizados. No Pará, a Aegea vai operar nos 126 municípios que integram os blocos A, B, C e D, incluindo os da região metropolitana de Belém , e mais dois municípios onde já controla a concessionária. Com estes resultados, todos os municípios do Pará têm seus serviços privatizados.
A Aegea Saneamento e Participações S.A. é um grupo de mais de 80 empresas controlado pela Equipav Saneamento, das famílias Vetorazzo e Toledo, em associação com fundos financeiros estrangeiros, como o Angelo Investment (GIC de Singapura) ,e nacionais como a Itaúsa. O grupo lidera o oligopólio que está avançando na prestação dos serviços de água e esgoto por meio concessões, PPPs e compra de estatais. Em 2024, a receita líquida das empresas do grupo Aegea atingiu R$ 16,2 bilhões, com crescimento de 13% em relação a 2023.Segundo o próprio grupo, suas concessionárias estavam, ao final de 2024, presentes em mais de 500 municípios de 15 Estados do país, totalizando uma população de mais de 30 milhões de pessoas, representando 56% do market share do setor privado de saneamento.
PARÁ ESTUDA ANTECIPAR ATUAÇÃO DE EMPRESA PRIVADA NO SANEAMENTO PARA ANTES DA COP3
O governo do estado do Pará avalia antecipar o início da operação da iniciativa privada no saneamento em Belém e na região metropolitana como forma de evitar riscos para a distribuição de água e tratamento de esgoto durante a COP30, a ser realizada em novembro.
O leilão de concessão foi feito em abril deste ano e a vencedora foi a Aegea. O contrato, contudo, só foi assinado em julho e prevê até seis meses do que é chamado de operação assistida —em parceria com o estado.
Ricardo Sefer, procurador-geral do estado do Pará, disse nesta terça (5) que o governo estadual deve antecipar o fim da operação assistida para setembro, de maneira que a Aegea já passe a atuar e operar integralmente os sistemas.
Pelo visto, o objetivo do governo do Estado é se desresponsabilizar dos problemas.
PREÇO DA ÁGUA EM SERGIPE AUMENTA: IGUÁ REAJUSTA TARIFA EM QUASE 8%
Os consumidores atendidos pela Iguá em Sergipe terão que se preparar para contas de água mais caras a partir de 1º de setembro. A empresa confirmou que a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Agrese) autorizou um reajuste de 7,837% nas tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
A Iguá justificou o aumento como uma necessidade de recompor os custos operacionais, como mão de obra, energia e produtos químicos, além de viabilizar investimentos em infraestrutura. O reajuste, que reflete a inflação acumulada, será aplicado diretamente nas contas dos clientes a partir do próximo mês.
UEZ RECHAÇA PRIVATIZAÇÃO DO SAMAE DE CAXIAS DO SUL: “ENQUANTO ESTIVERMOS NA GESTÃO, SEGUIREMOS CONTRA”
O diretor-presidente do Samae de Caxias do Sul, João Uez, se manifestou de forma categórica contra qualquer possibilidade de privatização da autarquia municipal de água e esgoto. Em entrevista ao programa Entre Amigos, da Rádio Viva 94.5 FM, na noite desta quarta-feira (30), Uez criticou a inclusão de Caxias do Sul no estudo contratado pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul para avaliar modelos de concessão dos serviços de água e esgoto em 176 municípios gaúchos.
“Nos causa muita estranheza essa situação. O Samae é uma referência estadual e federal. Temos 99% de cobertura de água na área urbana, 93% do esgoto coletado e uma das 10 melhores águas do Brasil. É um serviço de qualidade, prestado por servidores técnicos e comprometidos com a cidade”, afirmou.
COPASA VAI APOIAR PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO NAS DISCUSSÕES COM A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, DIZ DIRETOR FINANCEIRO
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) segue apoiando o governo estadual nas discussões com a Assembleia Legislativa sobre a privatização da empresa, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Adriano Rudek de Moura, durante teleconferência realizada nesta terça-feira (5). Segundo o executivo, os estudos sobre o tema estão caminhando bem.
“Estamos acompanhando o processo na Assembleia Legislativa, após tramitação na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] vai passar por comissão especial e será submetida ao plenário em dois turnos.”
Conforme fato relevante divulgado em março, o acionista solicitou à Copasa estudos para subsidiar as conversas na Assembleia. “Esses estudos estão caminhando bem e daremos todo apoio necessário ao processo”, disse.
EM BH, ONDAS PARTICIPA DE SEMINÁRIO POPULAR CONTRA PRIVATIZAÇÃO DE ESTATAIS MINEIRAS

Realizou-se na quarta-feira, 06/08/2025, o Seminário Popular contra a Privatização da CEMIG e da COPASA, empresas de energia e de saneamento de Minas Gerais. O evento foi promovido conjuntamente pelo Sindicato dos Engenheiros de MG (SENGE), Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de MG (SINDIELETRO), e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgotos de MG (SINDÁGUA).
Os presidentes do SINDÁGUA, Eduardo Pereira, do SENGE, Murilo de Campos Valadares, e do SINDIELETRO, Emerson Andrada Leite, o ex-presidente da CEMIG, Aloísio Vasconcelos, e a Deputada Estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG) ressaltaram a importância do engajamento de todos na resistência à ideologia de Zema de um Estado Mínimo nas Gerais.
O ONDAS esteve presente, representado por Amauri Pollachi, seu Coordenador Administrativo e Financeiro, que apresentou aos mineiros os problemas após um ano de privatização da SABESP em São Paulo: perdas financeiras do Estado; aumento das tarifas; demissão de funcionários; impactos à cadeia de trabalhadores prestadores de serviços da SABESP; falta de qualidade dos serviços; e descaso com os usuários e consumidores. Amauri ressaltou que todos esses problemas seguramente vão estar presentes no cenário de privatização da COPASA.
JUSTIÇA REJEITA LIMINAR DA CONCESSIONÁRIA PRIVADA EM AÇÃO CONTRA O MUNICÍPIO DE ORLÂNDIA (SP)
A juíza Juliana Francini dos Reis Costa, da 2ª Vara de Orlândia, indeferiu o pedido de liminar apresentado pela empresa Sanor em mandado de segurança movido contra o prefeito Jorge Gabriel Grasi e os vereadores Rafael Palma (PSD) e Clodoaldo Santana (PL).
No processo, a Sanor pedia a concessão de uma medida liminar para suspender atos da Prefeitura que considera irregulares.
O caso está relacionado à Lei Complementar nº 093/25, aprovada em 25 de junho deste ano pela Câmara Municipal de Orlândia que proíbe a cobrança de tarifa de esgoto pela concessionária de saneamento quando não houver efetivo tratamento dos resíduos.
UM ANO APÓS A PRIVATIZAÇÃO DA SABESP: VAZAMENTOS, POLUIÇÃO, TARIFAS EM ALTA E LUCROS RECORDES
Ao completar um ano da privatização da Sabesp, a população já sente os reflexos da entrega de um serviço essencial — o saneamento básico — à iniciativa privada. Vazamentos, falta de água, aumento das tarifas e demora na solução dos problemas têm sido parte da realidade enfrentada pela população, que agora depende de uma empresa privada para ter acesso a um direito básico.
Em entrevista à Hora do Povo, o engenheiro Amauri Pollachi, que trabalhou na empresa por 30 anos e hoje é conselheiro do ONDAS (Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento), fez duras críticas à gestão atual, alertando para o que chamou de “colapso da qualidade dos serviços, perda de conhecimento técnico e desrespeito à população”.
MULTAS À SABESP JÁ SOMAM QUASE R$ 23 MILHÕES POR VAZAMENTO DE ESGOTO DA ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE PINHEIROS, NA ZONA OESTE DE SP
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), anunciou nesta segunda-feira (4) que multou a Sabesp em quase R$ 23 milhões pelo vazamento de esgoto da Estação Elevatória de Pinheiros que, desde sexta-feira (1º), deixou uma mancha escura e malcheirosa no Rio Pinheiros. A empresa ainda pode recorrer.
Em nota, a Cetesb já havia informado que multou a Sabesp em mais de R$ 1 milhão assim que foi notificada desse vazamento. O órgão ambiental também destacou que a estação tem histórico de problemas operacionais.
MOBILIZAÇÃO CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO DMAE DE PORTO ALEGRE CONTINUA; PRÓXIMA REUNIÃO SERÁ DIA 13 DE AGOSTO
A Frente em Defesa da Água e do DMAE Público e Estatal convoca todas e todos que defendem o acesso universal à água e o DMAE como autarquia pública e estatal a participarem da próxima reunião, marcada para a quarta-feira, dia 13 de agosto, às 19 horas, na sede do SIMPA (Rua João Alfredo, 61 – Cidade Baixa).
O encontro é mais uma etapa da mobilização contra as ameaças de privatização e desmonte dos serviços públicos essenciais, como o saneamento e o abastecimento de água. A Frente vem articulando ações conjuntas com entidades, movimentos sociais e a população para barrar os projetos entreguistas que colocam os interesses privados acima do bem-estar coletivo.
Vote no plebiscito disponível online, pelo link: https://simpa.org.br/plebiscitodmae/, na defesa da água e do saneamento público como direitos universais.
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ONG INGLESA PROCESSA MINISTRO POR OMISSÃO EM RELAÇÃO À THAMES WATER
Segundo o Guardian, a River Action afirma que é ilegal não definir e não implementar política de nacionalização de empresas de água em dificuldades e por isso está processando por omissão o secretário (ministro) do meio ambiente, Steve Reed. Os advogados da ONG argumentam que a Thames Water violou suas obrigações e as condições de sua licença de forma séria e repetida, demandando administração especial.
A administração especial é um processo temporário de reestatização que inclui insolvência e reestruturação para empresas que prestam serviços públicos essenciais, como água, energia e transporte. Visa garantir a continuidade dos serviços enquanto a empresa se estabiliza e se reestrutura. Existe um regime de administração especial (SAR) específico para o setor de água, criado em 1991 e projetado para priorizar clientes e serviços, colocando os interesses financeiros em segundo lugar.
Reed disse que o governo está se preparando para colocar a Thames Water em administração especial, indicando que rejeitará os apelos dos credores da empresa por clemência em multas e penalidades. Os maiores credores da Thames Water controlam a empresa e fizeram esforços para cortar algumas de suas dívidas, oferecendo £ 5,3 bilhões em novos financiamentos para tentar recuperar a situação.
Saiba mais no site da River Action
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ÚLTIMA CHANCE PARA O TRATADO GLOBAL SOBRE A POLUIÇÃO PLÁSTICA
Com duração prevista de dez dias, foi reaberta esta semana em Genebra a quinta e última rodada de negociações para um tratado global contra a poluição por plásticos patrocinada pela ONU/UNEP. Trabalhando desde 2022, os mais de cem países participantes não chegaram até agora a um acordo principalmente pelas pressões e interferências dos países produtores de petróleo e das indústrias petroleiras, petroquímicas e de plástico.
Estas pressões são discutidas com profundidade no recentemente publicado artigo: The petrochemical historical bloc: Exposing the extent and depth of opposition to a high-ambition plastics treaty.
Já os graves impactos sobre a saúde humana causados pela crescente poluição pelos plásticos são abordados em revisão de literatura científica publicada na revista médica de referência Lancet , também pouco antes do início da atual rodada de negociação.
Leia matéria do Guardian e informe do PNUMA.
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O ONDAS é constituído por pessoas que acreditam e trabalham pelo saneamento público universal e de qualidade. Seus associados são acadêmicos, pesquisadores, estudantes, trabalhadores do setor, integrantes de movimentos sociais que têm a convicção de que água é um direito, não mercadoria.
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