Destaques – 8 a 14 de novembro de 2025
Pressa para privatizar Copasa cria receio de aumento de tarifa
Legalismo autocrático: o caso de Minas Gerais
Deputada estadual aciona Justiça para questionar tramitação de PEC de privatização da Copasa
Câmara de BH aprova acesso à água potável como direito básico de moradores da capital
Clientes reclamam de novo parcelamento da Sabesp, que agora cobra 6% de juros no cartão
O aumento da retirada de água dos mananciais da RMSP
Prazo prorrogado: II ENDHAS receberá inscrição de trabalhos técnicos até 24 de novembro
Belém: na sede da COP30, falta água e saneamento em bairros de maioria negra
Brasil propõe cooperação internacional para implementar programa de saneamento indígena
Abertura do IV Encontro Internacional celebra a organização histórica dos atingidos
Cidades lança caderno temático sobre Marco Legal do Saneamento
Comissão aprova prioridade de saneamento em áreas de preservação ambiental
25 de novembro: participe da 14ª Assembleia do ONDAS
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PRESSA PARA PRIVATIZAR COPASA CRIA RECEIO DE AUMENTO DE TARIFA
A aprovação, na semana passada, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que desobriga o estado de Minas Gerais a consultar a população antes de colocar a Copasa à venda deixa a estatal a um passo da privatização. Sob o argumento de que os recursos vão ajudar a amortizar a dívida de R$ 180 bilhões com a União, o governo do estado tenta acelerar a apreciação do Projeto de Lei (PL) 4.380/2025, que autoriza a desestatização da companhia.
Segundo Léo Heller pesquisador da Fiocruz e ex-relator especial dos direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário das Nações Unidas e membro do Ondas, pode haver muita exclusão, com ausência de investimento em áreas de baixo interesse para o capital privado, como regiões rurais, cidades pequenas”.
LEGALISMO AUTOCRÁTICO: O CASO DE MINAS GERAIS
“Entre a suposta legalidade, normatividade do Estado em seus ritos “habituais” e outras institucionalidades, é necessário observar que a democracia pode ser sucumbida como um Ouroboros e que, como ensina Maquiavel, é melhor prestar atenção no que os homens fazem e não no que os homens falam.
Em Minas Gerais, um estado com tradição política – apesar de conservadora – conciliadora, um fenômeno global que ataca democracias tem se manifestado: o do legalismo autocrático.
O dito legalismo autocrático é uma prática amplamente debatida nos tempos recentes, e agora chega a Minas Gerais, no Brasil. O enfraquecimento da democracia com verniz legalista foi prática na Alemanha dos anos 30, na Hungria de Victor Orbán, e em Estados ditatoriais da África, como Charles Taylor na Libéria.”
DEPUTADA ESTADUAL ACIONA JUSTIÇA PARA QUESTIONAR TRAMITAÇÃO DE PEC DE PRIVATIZAÇÃO DA COPASA
A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL – MG) protocolou na Justiça um mandado de segurança contra a Assembleia Legislativa por conta da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24/2023, que retira a obrigatoriedade do referendo popular para venda da Copasa. A parlamentar questiona supostas irregularidades no processo de votação da proposta em plenário e na comissão especial, como a rejeição de 273 emendas apresentadas pelo bloco de oposição ao governo Romeu Zema (Novo) e da computação do voto de Bruno Engler (PL) após o encerramento da votação.
CÂMARA DE BH APROVA ACESSO À ÁGUA POTÁVEL COMO DIREITO BÁSICO DE MORADORES DA CAPITAL
A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aprovou, em segundo turno, nesta quinta-feira (13), a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) que acrescenta à legislação do município o acesso à água potável como direito básico dos moradores da capital mineira.
Segundo Dulci, embora o direito à água já seja uma premissa universal, constando, inclusive, na Declaração dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), a proposta chega para “reforçar” a legislação municipal.
CLIENTES RECLAMAM DE NOVO PARCELAMENTO DA SABESP, QUE AGORA COBRA 6% DE JUROS NO CARTÃO
Clientes da Sabesp têm reclamado desde que a companhia mudou a forma de parcelar contas atrasadas. No começo de agosto, portanto já após a privatização da empresa, a Sabesp deixou de aceitar o pagamento de dívidas por boleto e passou a permitir apenas o parcelamento no cartão de crédito — com juros de 6% por parcela.
Consumidores relatam que as dívidas ficaram impagáveis. Em alguns casos, o valor total chega a ser quase dez vezes maior que o débito original. É o que conta a bacharel de direito Paola Santos, moradora da Vila Regente Feijó, na Zona Leste de São Paulo.
O AUMENTO DA RETIRADA DE ÁGUA DOS MANANCIAIS DA RMSP
A partir de dados oficiais da Sabesp, relatório elaborado pelo Instituto Água e Saneamento (IAS) examina de perto a situação das represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo. As análises apontam para um aumento da captação de água dos mananciais pelas empresas. Gráficos comparam esse movimento e o volume das represas com outros períodos, incluindo a crise hídrica de 2014-15. A maior parte das informações está disponível publicamente, outras foram conseguidas mediante solicitação realizada à empresa e agências reguladoras SP Águas e Arsesp.
Acesse aqui o estudo do IAS sobre o (injustificado) aumento da retirada de água dos mananciais da RMSP.
PRAZO PRORROGADO: II ENDHAS RECEBERÁ INSCRIÇÃO DE TRABALHOS TÉCNICOS ATÉ 24 DE NOVEMBRO
O II Encontro Nacional dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (II ENDHAS), que será realizado pelo ONDAS, Fundação Oswaldo Cruz/MG e Universidade Federal da Bahia (UFBA), em março de 2026, em Salvador (BA), contará com diversas formas de participação.
A apresentação de trabalhos técnicos será uma dessas modalidades e prevê a submissão de resumos expandidos de até cinco páginas que descrevam ações de pesquisa e extensão relacionadas ao tema do evento: “Caminhos para a superação do déficit persistente nos serviços públicos de água e saneamento”.
Além do tema geral, a organização especificou outros assuntos importantes para a realização dos DHAS que serão debatidos ao longo dos três dias de encontro:
- Racismo ambiental
- Água, saneamento e interseccionalidades do acesso (classe, raça, sexo, gênero, deficiências, entre outras)
- Saneamento em territórios indígenas, quilombolas e povos de comunidades tradicionais
- Saneamento Rural
- Saneamento além do domicílio
- Privatização
- Saneamento em Favelas e Comunidades Urbanas
- Mudanças climáticas, segurança hídrica, saúde e saneamento
- Desigualdades regionais no acesso à água e ao saneamento no Brasil
- Gestão comunitária da água no Brasil e América Latina
Assim, se você estuda, pesquisa ou realiza ações de extensão relacionadas a essas temáticas já anota na agenda: a submissão de trabalhos técnicos foi prorrogada até 24 de novembro de 2025. Todos os trabalhos serão publicados nos anais do evento e ficarão disponíveis online.
Mais informações e inscrições: https://www.even3.com.br/ii-encontro-dos-direitos-humanos-a-agua-e-ao-saneamento-630158/
BELÉM: NA SEDE DA COP30, FALTA ÁGUA E SANEAMENTO EM BAIRROS DE MAIORIA NEGRA
Com 1,3 milhão de habitantes e Produto Interno Bruto de R$ 33,4 bilhões, a capital paraense tem 58 mil pessoas sem acesso à água potável e 1 milhão sem rede de esgoto. Os dados são de estudo da ONG Mandi.
A cobertura de saneamento está mais presente nos bairros ao sul, onde vivem pessoas com maior rendimento médio mensal. E lá que vivem mais pessoas que se declaram brancas em comparação às demais áreas da cidade.
BRASIL PROPÕE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA IMPLEMENTAR PROGRAMA DE SANEAMENTO INDÍGENA
Nesta quarta-feira (12), durante o debate “Construindo a Resiliência Hídrica Urbana: das Cidades aos Compromissos Climáticos Nacionais”, realizado no terceiro dia da COP30, em Belém (PA), o Ministério da Saúde reafirmou o compromisso de ampliar o acesso à água potável e aos serviços de saneamento nos territórios indígenas do país. A proposta integra o Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI), que está sendo elaborado pelo ministério em parceria com estados, municípios e instituições internacionais ligadas ao tema.
O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS), Weibe Tapeba, destacou que a estruturação do programa prevê cooperação entre União, estados, municípios, organismos internacionais e iniciativa privada, com o objetivo de fortalecer a infraestrutura e garantir que o acesso à água potável chegue a todas as aldeias.
“O saneamento em territórios indígenas é uma atribuição da Sesai, e o acesso à água potável tem impacto direto na saúde. Estamos ampliando nossa capacidade de execução de obras para universalizar o acesso, e a COP30 é o espaço ideal para buscar cooperação e parcerias que tornem isso possível”, afirmou Tapeba.
ABERTURA DO IV ENCONTRO INTERNACIONAL CELEBRA A ORGANIZAÇÃO HISTÓRICA DOS ATINGIDOS
A pluralidade da plenária apontava que não era apenas mais um encontro corriqueiro. É momento de marcar história e continuar o caminho semeado há décadas em inúmeros chãos, pelas mãos de tantos povos e em diferentes línguas e culturas. Os mais de 200 delegados – vindos dos cinco continentes – celebraram na tarde desta sexta-feira (07) a abertura do IV Encontro Internacional de Atingidos por Barragens e Crise Climática, em Belém, no Pará.
De início, Soniamara Maranho, da coordenação do Movimento de Afectados por Represas (MAR), acolheu as delegações e saudou os aliados políticos e estratégicos presentes no ato, que “fortalecem a caminhada pela construção de uma sociedade justa, igualitária, socialista”.
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CIDADES LANÇA CADERNO TEMÁTICO SOBRE MARCO LEGAL DO SANEAMENTO
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério das Cidades publicou, nesta semana, o sétimo volume de cadernos temáticos da “Série Saneamento”, disponível na página do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). O material de acesso público, elaborado com a contribuição de especialistas e apoio da SNSA, trata sobre as alterações feitas ao Marco Legal do Saneamento.
O caderno tem como objetivo fornecer uma compreensão do Marco Legal do Saneamento Básico, contextualizando sua origem e evolução ao longo do tempo, além de oferecer uma visão abrangente das mudanças promovidas pela legislação mais recente, destacando seus principais aspectos, implicações e desafios para os diversos atores envolvidos no setor.
O documento ainda identifica as novas demandas por regulamentação decorrentes das alterações legislativas e apresenta considerações sobre o futuro do saneamento básico no Brasil. A análise é tida como fundamental para a promoção de políticas públicas eficientes e sustentáveis para o desenvolvimento nacional.
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COMISSÃO APROVA PRIORIDADE DE SANEAMENTO EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou proposta que prioriza a aplicação de recursos federais para a cobertura de serviços de saneamento básico (água, esgoto, resíduos e drenagem) a municípios localizados dentro de unidades de conservação. A medida altera o marco legal do saneamento.
Embora a lei já garanta prioridade e simplificação de licenciamento ambiental para obras de saneamento conforme o porte e o impacto das atividades, essa previsão se limita à tramitação administrativa dos projetos. Já o projeto busca direcionar investimentos públicos a regiões ambientalmente vulneráveis, fortalecendo a integração entre as políticas de saneamento e meio ambiente.
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25 DE NOVEMBRO: PARTICIPE DA 14ª ASSEMBLEIA DO ONDAS
A 14ª Assembleia Geral Ordinária será realizada no dia 25 de novembro de 2025, às 17h, em primeira convocação e às 17h30, em segunda convocação, com a seguinte pauta:
- Apreciação e aprovação das propostas da Coordenação Executiva para:
- Plano anual de atividades para 2026;
- Orçamento para 2026;
- Valores da anuidade dos associados para 2026;
- Outros assuntos de interesse do ONDAS.
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