Destaques – 23 a 29 de maio de 2025
Privatização da Copasa tropeça em denúncias do Sindágua e governo adia processo
Copasa terá novo cronograma para oferta de privatização
Após ofertas, TCE de Minas recebe novo pedido de suspensão da privatização da Copasa do Sindágua – MG
Equatorial e Aegea apresentaram propostas para controle da Copasa
Paralisação do processo de privatização da Copasa: mercado financeiro tem reação negativa
Copasa MG: Privatização a qualquer custo
Ex-prefeito de São Carlos (SP) alerta para perigo da privatização do saneamento na cidade
Privatização de serviços municipais em São Paulo: prazo da consulta pública do programa Universaliza SP é ampliado
Sabesp: A quem servem as privatizações
Moradores relatam demora em indenizações após explosão no Jaguaré, em São Paulo
Sabesp obtém aval do Cade para aquisição da Sanessol
Governo de São Paulo esquece privatização e diz que entrega obra da Sabesp privatizada
Financeirização: Iguá recebe aporte de R$ 700 milhões dos acionistas
Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI) já está disponível
Um mergulho na realidade do lixão e os possíveis caminhos para a dignidade
Carta aberta aos participantes do 54º Congresso Nacional da Assemae
África: o desafio é construir e manter sistemas de água e saneamento seguros, resilientes e acessíveis
Inglaterra: Por que a paciência do público com a privatização se esgotou
ONDAS se reúne com SINDAE BA
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PRIVATIZAÇÃO DA COPASA TROPEÇA EM DENÚNCIAS DO SINDÁGUA E GOVERNO ADIA PROCESSO
Em 27/05, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG) informou que a direção da Copasa anunciou oficialmente o adiamento do processo de privatização, frustrando os planos do governo estadual de divulgar imediatamente o investidor de referência que assumiria o controle da companhia — disputa que hoje corre entre as empresas Aegea e Equatorial. Sob a justificativa técnica de ter identificado supostos “fatos supervenientes”, o Palácio Tiradentes foi obrigado a recuar, prometendo reformular todo o cronograma e refazer documentos essenciais da oferta, como o prospecto preliminar e o aviso ao mercado enviado à Bolsa de Valores (B3).
COPASA TERÁ NOVO CRONOGRAMA PARA OFERTA DE PRIVATIZAÇÃO
A Copasa informou em 27/05 que apresentará um novo cronograma para a oferta de privatização da empresa. A decisão foi tomada após o governo estadual, que deseja vender a maior parte de suas ações, identificar “fatores supervenientes” que podem alterar os rumos da desestatização.
Segundo o governo mineiro, os fatores supervenientes indicados vão gerar alteração nas condições da oferta. O documento encaminhado pelo governo mineiro à Bolsa de Valores de São Paulo é subscrito por BTG Pactual, Itaú, Bank of America, Citigroup e UBS BB, que atuam como coordenadores da oferta.
Leia o Fato Relevante e o Anúncio de Modificação da Oferta publicados em 27/05.
APÓS OFERTAS, TCE DE MINAS RECEBE NOVO PEDIDO DE SUSPENSÃO DA PRIVATIZAÇÃO DA COPASA DO SINDÁGUA – MG
A representação foi protocolada no Tribunal de Contas de Minas Gerais pelo Sindicato dos Trabalhadores da Copasa (Sindágua-MG) na noite de segunda-feira, 25/05. No início do mês, a entidade já havia ajuizado outro pedido pela suspensão da privatização.
Na peça, o Sindágua cita a saída da Sabesp do páreo como elemento negativo à disputa. A oferta da Equatorial não tem relação com a Sabesp, da qual o grupo é controlador. “Em 21 de maio de 2026, dia da confirmação da desistência da Sabesp, as ações CSMG3 da Copasa caíram 3,14%, configurando a 4ª maior queda do Ibovespa naquele pregão, com volume financeiro negociado de R$ 436,3 milhões e 34.600 negócios registrados”, escreve o advogado Luiz Alberto Rocha que também afirma que a Sabesp recuou “porque as condições do processo tornaram a relação risco/retorno desfavorável”.
Na representação ao TCE-MG no começo de maio, o Sindágua aponta a criação de “barreiras de entrada que reduzem drasticamente o universo de participantes efetivos e favorecem cenário de competição insuficiente”. O sindicato critica também a exigência de carta de fiança bancária de R$ 7 bilhões e a necessidade de apresentação de histórico prévio de investimentos de mais de R$ 6 bilhões no setor de infraestrutura e afirma que “o cenário realizado é pior do que o mais pessimista modelado no laudo original”. Para a entidade, há apenas “um candidato efetivo”: a Aegea.
EQUATORIAL E AEGEA APRESENTARAM PROPOSTAS PARA CONTROLE DA COPASA
Na segunda-feira 25/05, os sócios da Aegea apresentaram oferta pelo posto de investidor de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) por meio de um consórcio denominado Livorno Participações S.A., constituído por Equipav, Itaúsa e Fundo Soberano de Cingapura (CIG) com aproximadamente 33% de suas ações e a própria Aegea, a quarta participante do grupo com 1%. A Livorno tentará adquirir 30% dos 50,03% detidos pelo governo mineiro na Copasa.
O consórcio formado pelos sócios da Aegea terá a concorrência da Equatorial. A Equatorial entrou no páreo sem a Sabesp. A Sabesp havia se credenciado para disputar os 30% — protocolo que permite a participação da Equatorial —, mas na semana passada indicou que não apresentaria proposta por entender que “existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio estado de São Paulo”.
PARALISAÇÃO DO PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DA COPASA: MERCADO FINANCEIRO TEM REAÇÃO NEGATIVA
Nota publicada no UOL destaca a decepção do mercado financeiro com a reviravolta que jogou na incerteza a privatização da Copasa, estatal de água e esgoto de Minas que atende 12 milhões de pessoas e fatura R$ 7,5 bilhões por ano.
O processo de privatização foi paralisado no momento em que o mercado aguardava o nome do futuro acionista de referência. Como consequência, a ação da empresa negociada na B3 fechou o dia com um tombo de 4,71%.
COPASA MG: PRIVATIZAÇÃO A QUALQUER CUSTO
O presidente da Seção Minas Gerais da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, Vitor Carvalho Queiroz, publicou artigo afirmando que privatizar uma companhia de saneamento não pode ser tratado como um fim em si mesmo, mas como uma decisão técnica e institucional fundamentada no interesse público.
Queiroz realça que a proposta do governo de Minas prevê contratos até 2073, horizonte de 47 anos, prazo superior ao observado em grande parte das concessões estruturadas no setor desde a Lei 11.445/2007 e que uma decisão dessa magnitude exigiria amplo debate público: por que esse prazo? Quais alternativas foram avaliadas? Qual a modelagem proposta? Quais investimentos serão necessários? Quais os impactos tarifários esperados? Mas muitas dessas respostas ainda permanecem pouco claras para a sociedade e também para os próprios municípios, responsáveis pela assinatura dos contratos.
Ele conclui que a privatização da Copasa estaria se tornando um objetivo em si mesmo, enquanto temas centrais, como universalização, qualidade, proteção dos usuários e fortalecimento regulatório, ficam em segundo plano.
Leia aqui.
EX-PREFEITO DE SÃO CARLOS (SP) ALERTA PARA PERIGO DA PRIVATIZAÇÃO DO SANEAMENTO NA CIDADE
O ex-prefeito de São Carlos (SP), Newton Lima, fala sobre o perigo que a está correndo com as ameaças do governador Tarcísio de Freitas e da atual gestão do município.
Newton Lima fala sobre a privatização disfarçada sob o nome de Universaliza SP e comenta o quanto a privatização da Sabesp aumentou as contas, apesar das promessas mentirosas de Tarcísio. Isso sem falar na precarização do serviço.
Saneamento não se privatiza. As experiências vividas em outras cidades mostram claramente o caos que estão vivendo.
Assista ao vídeo de Newton Lima aqui.
PRIVATIZAÇÃO DE SERVIÇOS MUNICIPAIS EM SÃO PAULO: PRAZO DA CONSULTA PÚBLICA DO PROGRAMA UNIVERSALIZA SP É AMPLIADO
O governo de São Paulo, por meio da SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) prorrogou por 15 dias o prazo da consulta pública do programa UniversalizaSP, que prevê ações de saneamento em 146 municípios paulistas por meio de concessões regionalizadas
Agora as participações na consulta podem ser enviadas até 12 de junho.
SABESP: A QUEM SERVEM AS PRIVATIZAÇÕES
Após capturarem saneamento em SP, rentistas abocanham 37% das contas d’água. Diretores já ganham R$ 708 mil mensais. E empresa reduz participação dos gastos com funcionários em 47%, reduz abastecimento, lidera queixas no Procon e vive série inédita de acidentes.
Leia artigo de Marcos Helano Montenegro, Amauri Pollachi e Edson Aparecido da Silva.
MORADORES RELATAM DEMORA EM INDENIZAÇÕES APÓS EXPLOSÃO NO JAGUARÉ, EM SÃO PAULO
Matéria da Folha de São Paulo de 28/05 informa que duas semanas após a explosão que atingiu o bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, moradores relatam que a relocação e o pagamento de indenizações seguem sem resolução. As vítimas reclamam de burocracia e demora nos trâmites de cartório e que a Sabesp tem demorado para resolver os pedidos de ressarcimento.
A Sabesp privatizada diz que dá suporte integral às famílias e que elevou para seis as alternativas de compensação oferecidas aos atingidos, mas a companhia não detalhou quais os prazos para conclusão dos acordos e nem um cronograma para indenizar as famílias e repor os bens pessoais.
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SABESP OBTÉM AVAL DO CADE PARA AQUISIÇÃO DA SANESSOL
A Sabesp informou que a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, a aquisição, pela Sabesp Participações, subsidiária integral da companhia, de ações ordinárias representativas de 90% Sanessol.
A Sanessol é titular de contrato de concessão, pelo prazo de 30 anos, para exploração dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Município de Mirassol, Estado de São Paulo, desde 2008, atendendo uma população de aproximadamente 65 mil habitantes.
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GOVERNO DE SÃO PAULO ESQUECE PRIVATIZAÇÃO E DIZ QUE ENTREGA OBRA DA SABESP PRIVATIZADA
Governo informou que entregou a 1ª etapa da ETE Perus, paulista, que amplia o saneamento para 250 mil pessoas. A unidade se localiza na zona Norte da capital e resulta de investimento de R$ 99,5 milhões, fazendo parte ações do IntegraTietê e contribuindo para a recuperação do rio Juqueri e afluentes do Tietê
Leia.
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FINANCEIRIZAÇÃO: IGUÁ RECEBE APORTE DE R$ 700 MILHÕES DOS ACIONISTAS
A Iguá Saneamento está recebendo uma capitalização de R$ 700 milhões de seus acionistas, os grupos canadenses CPPIB e AIMCo, e a BNDESPar. O aumento de capital vai reforçar a estrutura de capital e suportar investimentos, e será realizado de forma proporcional à participação dos atuais sócios. Não há previsão de usar os recursos para quitação antecipada de dívidas.
O CPPIB (Canada Pension Plan Investment Board, também conhecido como CPP Investments) é o fundo de pensão responsável por administrar as aposentadorias de mais de 22 milhões de canadenses. O Grupo AIMCo (Alberta Investment Management Corporation) é um dos maiores fundos institucionais do Canadá, administrando investimentos de pensões públicas, fundos governamentais e do setor de infraestrutura da província de Alberta no Canadá.
Conforme as demonstrações financeiras de 2025, o grupo Iguá fechou o exercício de 2025 apresentando prejuízo líquido de R$ 626 milhões e no exercício anterior também prejuízo de R$ 317 milhões, resultados que podem ser explicados pelo forte endividamento. Em 2026, de uma receita de serviços de saneamento de R$ 3,207 bilhões, foram usados R$ 1,575 bilhões para pagar juros. Ou seja, de cada R$ 10 pagos pelos usuários de água e esgoto das concessionárias controladas pela Iguá, praticamente R$ 5 foram para remunerar bancos e fundos financeiros.
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PROGRAMA NACIONAL DE SANEAMENTO INDÍGENA (PNSI) JÁ ESTÁ DISPONÍVEL
Foi lançada a publicação do Programa Nacional de Saneamento Indígena (PNSI), instituído pela Portaria GM/MS nº 10.778.
O caderno, elaborado pela Secretaria de Saúde Indígena, é uma conquista e o resultado de um processo construído com muita escuta, diálogo e colaboração com a população indígena, com o objetivo de orientar a implementação e a execução do Programa.
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UM MERGULHO NA REALIDADE DO LIXÃO E OS POSSÍVEIS CAMINHOS PARA A DIGNIDADE
“A poucos quilômetros do efervescente fluxo turístico e das praias badaladas de Salinópolis, no Pará, pulsa uma realidade que a cidade formal prefere não ver. Em um território marcado pelo desamparo estatal e pela extrema pobreza, um lixão a céu aberto serve de moradia e local de trabalho para cerca de 63 pessoas, distribuídas em 18 famílias fixas. A esse núcleo residente soma-se uma população flutuante composta por trabalhadores esporádicos e indivíduos em situação de dependência química, um contingente que chega a dobrar durante feriados e férias escolares, impulsionado pelo aumento do consumo de recicláveis (como latas de alumínio) nas praias.”
A pesquisa realizada por Francisca Adalgisa da Silva e Ricardo S. Moretti, associados do Ondas, e Paulo Maurício Pinho traça um perfil que reflete a desigualdade brasileira e mostra quem são esses cidadãos sem cidadania, excluídos das políticas públicas mínimas oferecidas pelo Estado.
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CARTA ABERTA AOS PARTICIPANTES DO 54º CONGRESSO NACIONAL DA ASSEMAE
“É hora de afirmar a superioridade do saneamento prestados por entidades públicas tecnicamente bem geridas, que valorizem a participação social e os direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário, priorizando o atendimento das populações vulneráveis, sem discriminação de renda, raça, crença ou local de moradia.”
Leia carta divulgada no 54º Congresso Nacional da Assemae.
ÁFRICA: O DESAFIO É CONSTRUIR E MANTER SISTEMAS DE ÁGUA E SANEAMENTO SEGUROS, RESILIENTES E ACESSÍVEIS
O secretário-geral da ONU, António Guterres divulgou mensagem por conta da passagem do Dia da África, em 25 de maio.
No Dia da África, celebramos os abundantes pontos fortes, a resiliência, o potencial e a crescente influência do continente no cenário mundial.
O tema deste ano se concentra em uma prioridade comum: água e saneamento. Esses serviços são a base da saúde pública, da dignidade humana e das oportunidades econômicas.
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INGLATERRA: POR QUE A PACIÊNCIA DO PÚBLICO COM A PRIVATIZAÇÃO SE ESGOTOU
Na newsletter de segunda, 25/05, do The Guardian, Martin Belam afirma que, décadas após o grande experimento de privatização, os eleitores questionam a quem as empresas de serviços públicos realmente servem, e a abordagem cautelosa do Partido Trabalhista está perdendo a eficácia.
A parcela do eleitorado que associa ineficiência à estatização está diminuindo. Para um eleitor em 2026, o setor privado não entregou a eficiência prometida, mas sim contas altas, poluição por esgoto não tratado e dificuldade de encontrar um trem da Avanti West Coast em funcionamento.
Durante décadas, o fantasma dos anos 70 foi usado para negar a propriedade pública dos serviços. Mas, à medida que o esgoto extravasa e as contas aumentam, parece que cada vez mais eleitores estão decidindo que a única coisa mais assustadora do que o passado é mais do mesmo.
Leia aqui.
O ONDAS se reuniu, em 28 de maio, com representantes do SINDAE Bahia para dar continuidade às ações de apoio a sindicatos e entidades na defesa dos serviços públicos de saneamento e na luta contra as privatizações.
Durante o encontro, foi analisado o balanço da empresa e destacado que, diante de sua capacidade de investimento, é fundamental intensificar os aportes em saneamento. O objetivo é fortalecer a empresa pública e evitar assédios e pressões de grupos privados que demonstram interesse em sua privatização.
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O ONDAS é constituído por pessoas que acreditam e trabalham pelo saneamento público universal e de qualidade. Seus associados são acadêmicos, pesquisadores, estudantes, trabalhadores do setor, integrantes de movimentos sociais que têm a convicção de que água é um direito, não mercadoria.
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