Só distribuir caixas d’água não basta

distribuir caixas d’água

No último dia 23 de março, foi noticiado no site do Governo do Estado de São Paulo  que serão distribuídas 1.200 caixas d’água em Paraisópolis, segunda maior comunidade localizada na zona sul da capital paulista, com cerca de 100 mil moradores. O objetivo, segundo a nota, é garantir acesso à água 24 horas por dia.

Essa medida foi adotada durante a crise de abastecimento de água que se abateu sobre a Região Metropolitana de São Paulo em 2014/2015. Trata-se de medida que, se não for bem articulada, não passará de “jogada” de marketing, como foi à época.

Para que seja eficaz, é necessário envolver a comunidade na definição dos locais onde serão instalados os reservatórios, levando em consideração que alguns imóveis sequer têm estrutura para suportar a caixa d’água. Também é preciso que o Estado arque com os custos de instalação, caso contrário a medida não se concretizará. Além disso, é importante, novamente a partir de discussão com a comunidade, a instalação de reservatórios coletivos de água, de fácil acesso e distância adequada, que possam ser utilizados pela comunidade em casos de emergência.

Uma medida fundamental a ser adotada pela Sabesp, se realmente estiver interessada em contribuir com o enfrentamento ao coronavírus, é suspender as manobras de redução de pressão nas tubulações, há muito utilizadas pela empresa e intensificadas em razão da crise de 2014/2015. Essa prática tem como objetivo a redução de perdas de água, sobretudo no período noturno, quando o sistema é menos demandado.

Ocorre que, apesar de a redução acontecer em toda a cidade, as regiões mais prejudicadas são as áreas altas e de grande adensamento, caso de Paraisópolis, onde a redução de pressão na rede ocorre todos os dias entre 23h e 5h da manhã. Esse impacto não é sentido nas áreas mais urbanizadas, exatamente porque as pessoas contam com reservatórios que atendem suas necessidades até a normalização do abastecimento. Ou seja, o argumento de que a iniciativa pretende “prevenir a falta de água em momentos em que sejam necessários reparos emergenciais ou manutenções preventivas na rede de abastecimento” não é o único.

Além disso, qualquer iniciativa só vai lograr êxito de houver envolvimento da comunidade.

Distribuir caixas d’água não basta Edson Aparecido da Silva
Secretário Executivo do ONDAS

 Leia repercussão do artigo na mídia:
Reportagem do Jornal Agora SP  – 28/3/2020
Periferia da capital paulista sofre com a falta d’água durante pandemia

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