ONDAS – Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento

ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Dia 5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

Destaques –  30 de maio a 5 de junho de 2026

Emoji Dia 5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente
2⃣ No Dia Mundial do Meio Ambiente, a FNU destaca o papel fundamental dos urbanitários e urbanitárias
3⃣ Ecofascismo: Na Semana do Meio Ambiente, governo Trump anuncia que vai desativar a Iniciativa de Observatórios Oceânicos
4⃣ Controladora da Sabesp, Equatorial assume posição de investidora de referência finalista no processo de privatização da Copasa
5⃣ Sindicato vê defasagem de R$ 2,7 bi em propostas pela Copasa
6⃣ Governo de Minas diz ao STF que privatizar a Copasa sem referendo é ‘escolha política’ para garantir autonomia fiscal
7️⃣ Guarulhos sofre sem água após nova lambança de terceirizada da Sabesp
8️⃣ Auditoria da Cedae aponta articulação para aportes conjuntos com Rioprevidência no Banco Master
9️⃣ Assembleia do ES discute política de saneamento enquanto privatização avança
? Aegea vê aterros como “próxima onda” do saneamento e foca em novos projetos
“Privatização da Eletrobras foi o maior roubo da história do Brasil”, afirma Lula
Ele foi eleito como uma pessoa capaz de salvar o planeta e afirma: ‘A água não deve ser privatizada’
Privatização: A história de um caminho errado no Atlas da Água 2025
Associação informa sobre as batalhas pelo retorno da água pública na França
Consumo de água potável cai drasticamente em Paris
França: Grupo Suez sob pressão na região da Île-de-France
Inglaterra: Empresa privada multada em 22 milhões de libras por graves interrupções no abastecimento de água
Livro Incêndios: uma crítica ecosocial ao capitalismo inflamável

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DIA 5 DE JUNHO: DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

O dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi instituído pela ONU na Conferência de Estocolmo em 1972. Nesses 54 anos, vimos o planeta Terra, a casa de todos os seres vivos, reagir de modo dolorido à teimosia de seus filhos mais problemáticos: a espécie humana.

São muitos os que se empenham em defender a biodiversidade, as águas, os biomas e a saúde do nosso planeta, mas esse empenho enfrenta, na maioria dos casos, poderosas visões político-institucionais e financeiras absolutamente insensíveis ao futuro das gerações de todos os seres vivos que estão por vir.

A crise climática, resultado dessas visões, é a resposta mais evidente da persistência humana em agir errado. Ceifa vidas, impõe prejuízos materiais exorbitantes e viola direitos básicos, principalmente das populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Neste Dia do Meio Ambiente, o ONDAS (Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento) reforça que o acesso à água potável e a um ambiente ecologicamente equilibrado são direitos humanos indissociáveis, que não podem ser tratados como mercadorias.

O atual governo do presidente Lula apresentou avanços, destacando-se pela retomada ativa da fiscalização ambiental contra o desmatamento ilegal, a reativação do Fundo Amazônia e o fortalecimento de ministérios estratégicos voltados aos povos tradicionais e à transição ecológica.

Porém, ainda há muito a avançar, principalmente quando assistimos à direita global e as forças ultraliberais na direção oposta, promovendo o negacionismo científico e a privatização de bens comuns essenciais.

Ao mercantilizar a água e afrouxar legislações ambientais em nome do lucro imediato, essa vertente política sabota as metas globais de emissões, acelerando tragédias ambientais e agravando severamente a crise climática que pune, de forma cruel e desproporcional, as populações mais vulneráveis do planeta.

A consciência individual precisa se transformar em coletiva; precisa, nos regimes democráticos, ser expressa nas escolhas e no voto dos cidadãos. A matriz econômica do planeta perde, a cada minuto, a chance de ser revertida em um processo ecológico, sustentável, e que receba de braços abertos os filhos e netos de nossos filhos. É preciso semear essa mudança na mente e no coração de todos.

2⃣
NO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, A FNU DESTACA O PAPEL FUNDAMENTAL DOS URBANITÁRIOS E URBANITÁRIAS

A Federação Nacional dos Urbanitários destaca que são cerca de 200 mil trabalhadores e trabalhadoras que atuam diariamente na proteção dos recursos naturais e na promoção da qualidade de vida da população, por meio dos serviços públicos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário e de energia elétrica e gás, contribuindo para um futuro mais sustentável para todos.

3⃣
ECOFASCISMO: NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE, GOVERNO TRUMP ANUNCIA QUE VAI DESATIVAR A INICIATIVA DE OBSERVATÓRIOS OCEÂNICOS

O governo de Donald Trump começou a desmantelar uma importante infraestrutura de observação oceânica nos Estados Unidos crucial para compreensão das mudanças climáticas, operada pela National Science Foundation (NSF). O projeto, que custou US$ 368 milhões e conta com centenas de sensores submarinos nos oceanos Pacífico e Atlântico, tem seus dados utilizados para estudar o clima e as mudanças climáticas. Segundo a Folha de São Paulo e o jornal The New York Times, a decisão integra uma estratégia da NSF de priorizar tecnologias emergentes. O desmonte, que se estenderá ao longo de 15 meses, foi recebido com forte alarme pela comunidade científica, uma vez que a rede é fundamental para monitorar correntes marítimas, ondas de calor e como o oceano absorve gases do efeito estufa.

4⃣
CONTROLADORA DA SABESP, EQUATORIAL ASSUME POSIÇÃO DE INVESTIDORA DE REFERÊNCIA FINALISTA NO PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DA COPASA

A Equatorial apresentou oferta de R$ 49,03 por ação, valor superior ao preço mínimo de R$ 47,23, estabelecido pela estatal na semana passada, em operação que poderá totalizar cerca de R$ 5,5 bilhões. O resultado foi divulgado em 03/06.

A mudança em alguns parâmetros do processo de privatização fez com que a Aegea desistisse da disputa na reta final.

A Equatorial poderá assumir 30% da companhia, parte dos 50,03% dos títulos da empresa pelo Estado. O governo estadual pretende negociar de forma pulverizada outros 15%, mantendo 5% sob seu poder.

A confirmação da Equatorial como Investidor de Referência Selecionado e a aquisição das ações pela Gerais Saneamento no âmbito da Oferta estão sujeitas ao atendimento das condições previstas nos documentos da Oferta, inclusive o resultado do procedimento de bookbuilding, não havendo, portanto, ainda certeza quanto à efetivação do investimento.

Segundo a Folha de São Paulo, apesar de ter apresentado a única proposta, ainda não é certo que a Equatorial sairá vencedora da privatização. Isso porque, se o processo de bookbuilding —que vai ofertar os outros 15% da Copasa— terminar com uma precificação superior, todos os 45% serão diluídos na Bolsa, e o sócio estratégico será desclassificado. Ou seja, se o mercado oferecer pagar mais por ação do que a Equatorial, a privatização da Copasa vai ser concluída no formato de corporation, sem um controlador definido.

Em fato relevante, a Equatorial contempla a hipótese de, em aquisição acionária complementar, comprar o saldo eventual dos títulos destinados aos investidores institucionais.

A gestão do governador Mateus Simões (PSD) afirma que vai utilizar o montante a ser arrecadado em obras de infraestrutura do leque de contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

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5⃣
SINDICATO VÊ DEFASAGEM DE R$ 2,7 BI EM PROPOSTAS PELA COPASA

As propostas apresentadas pela Aegea e pela Equatorial para a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) podem ter ficado R$ 2,7 bilhões abaixo do valor considerado adequado para a empresa, segundo levantamento do Sindiágua-MG (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais).

Segundo o presidente do sindicato, Milton Costa, esse cenário está ligada à expectativa de uma privatização com ao menos cinco proponentes.

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6⃣
GOVERNO DE MINAS DIZ AO STF QUE PRIVATIZAR A COPASA SEM REFERENDO É ‘ESCOLHA POLÍTICA’ PARA GARANTIR AUTONOMIA FISCAL

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a privatização da Companhia de Saneamento (Copasa) é uma “escolha política” necessária para garantir a sustentabilidade fiscal do estado e evitar “profunda dependência perante a União”.

A manifestação foi protocolada nesta quinta-feira (21) nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7902. Nesta ação, PT e Psol pedem ao tribunal que declare inconstitucional a emenda aprovada em novembro pela Assembleia Legislativa (ALMG), que dispensou o referendo popular para a privatização da estatal. Após isso, o estado editou a lei que autorizou o Poder Executivo a promover medidas para a desestatização da empresa.

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7️⃣
GUARULHOS SOFRE SEM ÁGUA APÓS NOVA LAMBANÇA DE TERCEIRIZADA DA SABESP

Em menos de 30 dias, mais uma grave ocorrência envolvendo empreiteiras contratadas da Sabesp escancara os impactos da privatização e da política de terceirização desenfreada adotada pela empresa.

O Sintaema recebeu informações de que milhares de famílias de Guarulhos estão sem abastecimento de água e sem previsão de normalização após uma empresa terceirizada – identificada como Consórcio Integra Tietê – que atua em obras na área de esgoto perfurar uma adutora durante a execução de um serviço.

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8️⃣
AUDITORIA DA CEDAE APONTA ARTICULAÇÃO PARA APORTES CONJUNTOS COM RIOPREVIDÊNCIA NO BANCO MASTER

Em 04/06, matéria da Folha de São Paulo informa que auditoria interna da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) apontou indícios de uma “articulação governamental” para a realização de aportes conjuntos da companhia com o Rioprevidência (Fundo Único de Previdência do Estado) no Banco Master.

As tratativas entre a companhia de água e esgoto e executivos do banco começaram, segundo a auditoria, cinco dias após jantar do ex-governador Cláudio Castro pago pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em Nova York.

O documento aponta um possível prejuízo de R$ 222,1 milhões para a Cedae devido à aplicação de recursos no banco.

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9️⃣
ASSEMBLEIA DO ES DISCUTE POLÍTICA DE SANEAMENTO ENQUANTO PRIVATIZAÇÃO AVANÇA

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo começou a discutir o Projeto de Lei 174/2026, do governo do Estado, que cria a nova Política Estadual de Saneamento Básico. Debatido na Comissão de Meio Ambiente, o projeto deve voltar à pauta nas próximas semanas, em meio a críticas de várias entidades, que apontam riscos de centralização das decisões, enfraquecimento da participação popular e avanço da privatização dos serviços de água e esgoto.

No Espírito Santo, já em 2021, a Lei Complementar nº 968 instituiu a Microrregião de Águas e Esgoto do Espírito Santo – MRAE/ES, composta pelo Estado e por todos os municípios capixabas.

O projeto, segundo o governo estadual, pretende adequar a legislação estadual à Lei Federal nº 14.026/2020, que alterou o Marco Legal, de 2007, para incentivar parcerias com a iniciativa privada. A proposta reorganiza a estrutura de governança do saneamento, cria novas instâncias de gestão e regulamentação, e consolida o processo de regionalização dos serviços.

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AEGEA VÊ ATERROS COMO “PRÓXIMA ONDA” DO SANEAMENTO E FOCA EM NOVOS PROJETOS

A gestão de resíduos sólidos, transformando lixões em aterros sanitários, deverá constituir a “próxima onda” do saneamento básico e ter participação ativa da Aegea.

A afirmação é do CEO da companhia, Radamés Casseb, que vê um crescimento à base da disputa por novos projetos no segmento — e não por meio de aquisições dos concorrentes.

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“PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRAS FOI O MAIOR ROUBO DA HISTÓRIA DO BRASIL”, AFIRMA LULA

O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (27), em Manaus, que a privatização da Eletrobras representa “o maior roubo da história desse país”. O pronunciamento ocorreu durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras e da Transpetro no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia.

Ao tratar da Eletrobras, Lula afirmou: “Eu vou dizer para vocês o que é a privatização: a privatização que eles estão fazendo, como fizeram com a Eletrobras, foi o maior roubo da história desse país a privatização da Eletrobras”.

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ELE FOI ELEITO COMO UMA PESSOA CAPAZ DE SALVAR O PLANETA E AFIRMA: ‘A ÁGUA NÃO DEVE SER PRIVATIZADA’

Rajendra Singh é ambientalista, mas não só. O indiano é referência mundial em gestão de recursos hídricos, especialmente em torno de como o ser humano lida com a água e, principalmente, sabe dizer com clareza o que fazemos atualmente e que coloca em risco um ativo fundamental para a nossa sobrevivência.

Assim, é preciso prestar atenção à resposta do especialista quando questionado sobre o que gostaria de ouvir dos políticos, que neste ano disputam eleições presidenciais no Brasil. Qual seria o discurso ideal em relação à água e ao meio ambiente?

“Primeiro, proteja sua floresta, suas montanhas e rios e inicie uma gestão descentralizada da água liderada pela comunidade, sem privatização da água”, afirma o especialista, para em seguida concluir seu raciocínio: “No Brasil, não há necessidade de privatizar a água, (fazer) a mercantilização da água”.

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PRIVATIZAÇÃO: A HISTÓRIA DE UM CAMINHO ERRADO NO ATLAS DA ÁGUA 2025

Lançado no final do ano passado, o Atlas da Água de 2025 é uma publicação virtual com um enfoque global abordando temas críticos em diversas seções.

O Atlas traz, entre outras de maior interesse, a seção Direito Humano: água para todos, que chama atenção sobre a falta de acesso seguro à água por parte de um quarto da população do planeta. Outra seção, intitulada Privatização: a história de um caminho errado, considera que a venda de sistemas públicos de abastecimento de água para empresas privadas tinha como objetivo declarado tornar a gestão mais eficiente e reduzir os preços. Mas a experiência muitas vezes demonstrou o contrário e agora muitas municipalidades e iniciativas da sociedade civil defendem a reestatização da água.

O Atlas da Água 2025 é uma publicação da Fundação Heinrich Böll, organização política alemã sem fins lucrativos.


ASSOCIAÇÃO INFORMA SOBRE AS BATALHAS PELO RETORNO DA ÁGUA PÚBLICA NA FRANÇA

Criada em 2008, a Coordenação EAU Île-de-France reúne cidadãos, associações e comunidades com interesse no tema água na França, buscando aumentar a conscientização entre os cidadãos-usuários, fornecer informações e ferramentas para intervir e se fazer ouvir nos debates, influenciar decisões e coordenar ações.

Na seção Batalhas pela prestação pública a Coordenação EAU Île de France informas sobrea s lutas e iniciativas de remunicipalização na França.

Saiba mais sobre a Coordenação EAU Île de France.


CONSUMO DE ÁGUA POTÁVEL CAI DRASTICAMENTE EM PARIS

O Departamento de Planejamento Urbano de Paris (Apur) publicou no final de maio um relatório sobre o consumo de água potável em Paris. Entre 2017 e 2024, o consumo de água potável em Paris vem diminuindo de forma constante e um “novo normal” foi estabelecido desde 2022, em um nível 10% abaixo daquele anterior à epidemia de Covid. A mudança demográfica, o crescimento do teletrabalho, a dupla residência e o desenvolvimento de acomodações turísticas mobiliadas estão mudando profundamente os usos e presenças, influenciando diretamente os níveis de consumo, que foram 150,8 milhões de m³ em 2024, contra 169,3 milhões em 2017.

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FRANÇA: GRUPO SUEZ SOB PRESSÃO NA REGIÃO DA ÎLE-DE-FRANCE

O jornal Le Monde informa sobre as dificuldades enfrentadas pela Suez na Île-de-France, a principal região administrativa da França, que inclui a capital, Paris, e concentra cerca de 12 milhões de habitantes. Suez e Veolia são os dois maiores grupos privados franceses atuando nos serviços público de saneamento básico.

No Sul da região Île-de-France, a Suez resiste às iniciativas  do consórcio público Eau du Sud Ile-de-France que deseja retomar da Suez a propriedade de suas instalações de produção e transporte de água potável para a rede interconectada do sul da região (RISF). A RISF, objeto da intenção de remunicipalização, fornece água potável para quase 1,5 milhão de habitantes em 130 municípios no sul da região.

No contexto das disputas entre Suez e Veolia, o judiciário, em razão de queixa da Veolia, cancelou uma  licitação promovida pelo consórcio público Aquavesc e vencida pela Suez de renovação de concessão de produção de água no atacado por doze anos para 32 municípios no oeste da região da Île-de-France. Se confirmada pelo Conselho de Estado, a perda desse contrato será um golpe para Suez, que detém a delegação desde 2014.

A decisão do tribunal de Versalhes também pode ter repercussões para outro contrato de delegação da Suez nos Hauts-de-Seine, com o Sénéo, o segundo maior sindicato (consórcio) de água potável da França.

No total, esses três contratos de água na região de Île-de-France envolvem quase 3 milhões de usuários, dos 3,3 milhões atendidos pelo grupo Suez na região.

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INGLATERRA: EMPRESA PRIVADA MULTADA EM 22 MILHÕES DE LIBRAS POR GRAVES INTERRUPÇÕES NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA

A multa equivale a cerca de R$150 milhões e foi aplicada pelo regulador à South East Water depois de mais um evento grave de  falta de água deixar centenas de residências em Kent e Sussex sem água durante os dias mais quentes do mês passado. No último inverno na Inglaterra, os cortes no abastecimento de água da mesma empresa deixaram dezenas de milhares de pessoas sem água.

Neste mês, uma comissão de parlamentares acusou os principais executivos da South East Water de incompetência devido às repetidas interrupções no fornecimento de água que afetaram dezenas de milhares de clientes.

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LIVRO INCÊNDIOS: UMA CRÍTICA ECOSOCIAL AO CAPITALISMO INFLAMÁVEL

Em junho de 2017, três incêndios abalaram o mundo quase simultaneamente. Em Pedrógão Grande, Portugal, 66 pessoas morreram sob as chamas em um campo sufocado pelo aquecimento global e pelas árvores de eucalipto. Em incêndio na Galeria Nicolini em Lima, Peru, dois trabalhadores morreram trancados em condições de semiescravidão em contêineres empilhados no telhado do centro comercial. Na Torre Grenfell, em Londres, um incêndio matou 72 pessoas nas primeiras horas da manhã, enquanto alguns jantavam e outros dormiam.

No entanto, o livro de Alejandro Pedregal, pesquisador do Conselho de Pesquisas da Finlândia, não é um livro sobre incêndios, pelo menos não no sentido literal. É uma obra sobre a condição inflamável do capitalismo, um sistema cuja lógica — como a do fogo — se espalha implacavelmente, consumindo tudo em seu caminho e deixando para trás cinzas, ruína e privação. Cada um desses incêndios narrados aqui serve para reconstruir as condições históricas pelas quais a natureza foi mercantilizada, o trabalho explorado sob o capitalismo global e o neoliberalismo atacou os espaços destinados à reprodução social.

Aqui, o fogo serve tanto como metáfora quanto como força material e tangível: expõe a amoralidade estrutural da ordem capitalista, seus ciclos de destruição social e ecológica, e seu papel na formação das condições planetárias atuais. Diante dessa realidade, a obra relê o mito de Prometeu além de sua interpretação usual como metáfora para dominação e progresso. Como símbolo original da emancipação, o titã clássico permite a articulação de uma crítica ao produtivismo capitalista, à modernidade eurocêntrica e à tecnocracia, por um lado, e, por outro, para reivindicar as práticas comunitárias, lutas sociais e experiências de resistência do Sul global.

 

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