Destaques – 12 a 18 de setembro de 2026
Privatização: Em menos de um mês, Copasa registra cinco rompimentos de tubulação na Grande BH
Nível do Cantareira volta a subir com chuvas de setembro
Marginal Tietê tem bloqueios após chuva
Setembro registra recorde de chuva na capital paulista
Moradores enfrentam enchente no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo
SINDUR e CUT-RO denunciam propinas em concessões de saneamento em Rondônia e cobram suspensão de novo leilão
CPI de Bombinhas pede rompimento de contrato com concessionária de água e esgoto e aponta irregularidades em concessão bilionária
ANA apresenta Plano de Preparação para o enfrentamento dos impactos do El Niño 2026-2027 sobre os recursos hídricos do Brasil
Manuais orientativos da ANA voltados ao setor de saneamento básico são publicados
Sabesp encerra incorporação da Emae após rejeição de oferta aos minoritários
ONDAS cobra informações do Ministério da Saúde sobre crise da fluoretação
Sanesul: dois contratos com a mesma fundação somam mais de R$ 4 milhões
Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde pede ao MP investigação sobre concessões de água e esgoto no Rio de Janeiro
Istambul e Atenas mantêm grandes sistemas de saneamento sob controle público
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PRIVATIZAÇÃO: EM MENOS DE UM MÊS, COPASA REGISTRA CINCO ROMPIMENTOS DE TUBULAÇÃO NA GRANDE BH
Belo Horizonte já sente na pele os efeitos da privatização da Copasa, conduzida pelos governos Romeu Zema e Mateus Simões.
Em menos de 20 dias, cinco rompimentos e vazamentos na rede da Copasa deixaram mais de 60 bairros sem água!
Esse é um problema recorrente entre empresas de saneamento privatizadas. Em São Paulo, onde a Sabesp é comandada pela Equatorial, a mesma empresa que adquiriu ações da Copasa, episódios semelhantes também são frequentes.
Quando a prioridade deixa de ser o serviço público e passa a ser o lucro, o resultado são tarifas maiores, cortes de custos, demissões, precarização e mais reclamações dos usuários.
NÍVEL DO CANTAREIRA VOLTA A SUBIR COM CHUVAS DE SETEMBRO
O Sistema Cantareira registrou sua primeira recuperação desde o fim de junho. Entre 31 de agosto e 10 de setembro, o volume armazenado passou de 33% para 33,7%, acréscimo equivalente a 7,13 bilhões de litros. Considerando todo o Sistema Integrado Metropolitano, o aumento foi de 43,3% para 45,1%, ou quase 39 bilhões de litros.
Apesar da melhora, a Sabesp manteve a redução da pressão da água durante oito horas no período noturno. A medida exige atenção porque, embora diminua perdas na rede, pode provocar desabastecimento em imóveis sem reservatórios adequados e atingir com maior intensidade bairros periféricos. Em um serviço privatizado, a economia operacional não pode substituir investimentos estruturais na redução de vazamentos e na segurança do abastecimento.
Saiba mais na Folha de S.Paulo.
MARGINAL TIETÊ TEM BLOQUEIOS APÓS CHUVA
As chuvas intensas elevaram o nível do rio Tietê e provocaram bloqueios nas pistas da Marginal. De acordo com a SP Águas, os pontos de alagamento não foram causados pelo extravasamento da calha do rio, mas pela incapacidade dos sistemas de drenagem de absorver o volume de água. A cidade registrou 75,4 milímetros em 24 horas, e setembro já acumulava mais que o dobro da média histórica mensal.
A distinção entre transbordamento do rio e falha da drenagem é relevante: o saneamento básico também abrange o manejo das águas pluviais, frequentemente tratado como uma questão secundária. As enchentes mostram que políticas de água, esgoto, habitação, uso do solo e drenagem precisam ser articuladas. A privatização de serviços isolados não resolve essa fragmentação e pode dificultar ainda mais um planejamento territorial integrado.
SETEMBRO REGISTRA RECORDE DE CHUVA NA CAPITAL PAULISTA
A capital paulista acumulou 253,8 milímetros de chuva até a manhã de 14 de setembro, três vezes a média esperada para todo o mês e o maior volume registrado desde o início da série histórica, em 1943. Campinas também bateu recorde, enquanto Registro e São José dos Campos tiveram volumes muito superiores às médias históricas.
Mesmo depois do enfraquecimento do sistema meteorológico, permaneceu o risco de alagamentos e deslizamentos devido ao solo encharcado. O episódio reforça que a adaptação climática precisa orientar os investimentos em saneamento e drenagem. Não basta ampliar redes de água e esgoto com base em metas numéricas: é necessário preparar as cidades, especialmente os territórios mais vulneráveis, para chuvas cada vez mais intensas e fora de época.
Leia matéria da Agência Brasil.
MORADORES ENFRENTAM ENCHENTE NO JARDIM PANTANAL, ZONA LESTE DE SÃO PAULO
Moradores do Jardim Pantanal permaneceram por três dias cercados pela água depois do transbordamento do Tietê. A prefeitura informou que retirou 789 famílias de áreas de risco desde dezembro de 2025 e prevê remover 4.344 imóveis até 2029. O plano inclui R$ 700 milhões em investimentos, dos quais R$ 59,8 milhões seriam destinados a microdrenagem, pavimentação e nove quilômetros de galerias.
A recorrência das enchentes evidencia uma profunda desigualdade territorial. Moradores periféricos perdem bens, renda e condições mínimas de higiene enquanto aguardam obras estruturais e atendimento habitacional. A Sabesp emprestou equipamentos de bombeamento, mas respostas emergenciais não substituem políticas públicas permanentes. Também é preciso impedir que a privatização concentre investimentos nos serviços rentáveis enquanto drenagem, habitação e proteção das áreas vulneráveis ficam sob responsabilidade de governos sem recursos suficientes.
Leia matéria da Folha de S.Paulo.
SINDUR E CUT-RO DENUNCIAM PROPINAS EM CONCESSÕES DE SANEAMENTO EM RONDÔNIA E COBRAM SUSPENSÃO DE NOVO LEILÃO
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Rondônia (SINDUR) e a Central Única dos Trabalhadores de Rondônia (CUT-RO) divulgaram uma denúncia pública sobre pagamentos de propina relacionados a concessões de saneamento em municípios do estado. O documento foi publicado nesta segunda-feira (14/9) pelo Portal Rondônia e cobra providências diante do processo de concessão dos serviços atualmente prestados pela Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd).
Em fevereiro, o ONDAS repercutiu denúncias de pagamentos ilícitos envolvendo empresas e executivos ligados à Aegea em processos relacionados a concessões de água e esgoto, com base em documentos de colaboração premiada e acordos de leniência. Em março, a entidade apresentou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma petição buscando acesso aos acordos de colaboração premiada e leniência relacionados a processos de concessão dos serviços de saneamento.
CPI DE BOMBINHAS PEDE ROMPIMENTO DE CONTRATO COM CONCESSIONÁRIA DE ÁGUA E ESGOTO E APONTA IRREGULARIDADES EM CONCESSÃO BILIONÁRIA
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Bombinhas concluiu seus trabalhos com uma recomendação contundente ao Poder Executivo Municipal: a declaração de caducidade, ou seja, o rompimento do contrato de concessão com a empresa Águas de Bombinhas, controlada pelo Grupo AEGEA. O relatório final aponta uma série de graves irregularidades que vão desde falhas na licitação e atrasos em obras até infrações ambientais e tarifas consideradas abusivas.
O documento, que lança luz sobre os bastidores de um contrato com duração prevista de 35 anos, revela um cenário de desequilíbrio em desfavor do município e dos cidadãos. Segundo a comissão, a tarifa residencial comum sofreu um salto nominal de aproximadamente 180% entre 2016 e 2025. Ao mesmo tempo, a evolução da cobertura de esgotamento sanitário avançou a passos lentos, saltando de 16% para apenas 24% em quase uma década, configurando um descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado para a execução das obras.
Principais Pontos da Investigação
- Pedido de rompimento: O relatório final da CPI pediu o rompimento do contrato bilionário de concessão com a concessionária.
- Falhas de governança: A investigação apontou ausência de validação adequada da modelagem econômica pelo poder público e problemas na origem do contrato firmado em 2016.
- Aditivo irregular: O terceiro termo aditivo prorrogou a concessão por mais 10 anos (até 2061) com previsões de reajustes questionados.
- Ações paralelas: Municípios vizinhos como Penha e Camboriú também discutem judicialmente ou revisam contratos com o mesmo grupo de saneamento
ANA APRESENTA PLANO DE PREPARAÇÃO PARA O ENFRENTAMENTO DOS IMPACTOS DO EL NIÑO 2026-2027 SOBRE OS RECURSOS HÍDRICOS DO BRASIL
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico apresentou um plano nacional diante da possibilidade de o El Niño alcançar intensidade “muito forte” até o início de 2027. O documento prevê salas de crise regionalizadas, monitoramento dos recursos hídricos e instrumentos regulatórios para lidar com impactos distintos nas várias regiões brasileiras.
A iniciativa é importante porque o El Niño pode produzir simultaneamente excesso de chuvas em algumas áreas e seca severa em outras. Porém, a efetividade do plano dependerá da coordenação entre União, estados, municípios, agências reguladoras e prestadores. Em sistemas privatizados, é indispensável impedir que o custo da crise seja transferido aos consumidores por tarifas maiores ou pela piora do atendimento em áreas menos rentáveis.
MANUAIS ORIENTATIVOS DA ANA VOLTADOS AO SETOR DE SANEAMENTO BÁSICO SÃO PUBLICADOS
A ANA publicou manuais para orientar a aplicação de suas normas de referência no saneamento. Os documentos abordam indicadores operacionais dos serviços de água e esgoto, redução progressiva das perdas na distribuição de água potável e procedimentos de arbitramento regulatório.
A padronização pode aumentar a transparência e permitir comparações entre empresas e municípios. Contudo, indicadores não devem servir apenas para demonstrar eficiência financeira ou justificar reajustes tarifários. A regulação precisa acompanhar qualidade, continuidade, modicidade das tarifas, atendimento das periferias e cumprimento efetivo das metas pelos operadores privados e públicos.
SABESP ENCERRA INCORPORAÇÃO DA EMAE APÓS REJEIÇÃO DE OFERTA AOS MINORITÁRIOS
A Sabesp aprovou a incorporação das ações da Empresa Metropolitana de Águas e Energia. Para cada ação da Emae, os acionistas receberão 1,395 ação da Sabesp. Quem exercer o direito de retirada receberá R$ 18,18 por ação, valor muito inferior aos R$ 61,83 oferecidos anteriormente na proposta de aquisição rejeitada pelos minoritários.
A operação concentra na Sabesp privatizada ativos relacionados simultaneamente à água e à geração de energia na Região Metropolitana de São Paulo. Essa integração pode produzir ganhos operacionais, mas também amplia o poder econômico e territorial de uma companhia controlada por interesses privados. A incorporação exige transparência sobre os efeitos na gestão dos reservatórios, na segurança hídrica, nas tarifas e na prioridade que será dada ao interesse público diante das expectativas de retorno dos acionistas.
Leia matéria na Folha de S.Paulo/C-Level.
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ONDAS COBRA INFORMAÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE SOBRE CRISE DA FLUORETAÇÃO
O ONDAS encaminhou pedido de informações ao Ministério da Saúde sobre as dificuldades enfrentadas por prestadores de abastecimento de água para aquisição de insumos utilizados na fluoretação. A entidade questiona os possíveis impactos de interrupções temporárias sobre a saúde bucal, especialmente da população mais vulnerável, e solicita informações sobre as medidas adotadas pelo governo diante da crise.
O pedido também busca conhecer a dimensão do problema no país, as orientações dadas aos prestadores, a possibilidade de intensificação das ações públicas de saúde bucal e os documentos e comunicações recebidos pelo Ministério sobre a escassez de insumos. O prazo informado para resposta é 5 de outubro.
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SANESUL: DOIS CONTRATOS COM A MESMA FUNDAÇÃO SOMAM MAIS DE R$ 4 MILHÕES
A Sanesul contratou a Fundação Carlos Alberto Vanzolini por R$ 2,7 milhões em 2025 e, em 2026, firmou uma nova contratação de R$ 1,346 milhão, ambas relacionadas à atuação da estatal na área de resíduos sólidos. Os dois contratos somam R$ 4,046 milhões.
O Sindágua-MS questiona as contratações diretas, cobra esclarecimentos sobre a relação entre os objetos dos dois contratos e quer saber qual é a base jurídica para a Sanesul assumir esses serviços nos municípios.
O sindicato também defende que os órgãos competentes analisem o modelo adotado e cobra transparência sobre o uso dos recursos públicos e o futuro da Sanesul na gestão de resíduos sólidos.
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REDE DE VIGILÂNCIA POPULAR EM SANEAMENTO E SAÚDE PEDE AO MP INVESTIGAÇÃO SOBRE CONCESSÕES DE ÁGUA E ESGOTO NO RIO DE JANEIRO
A Rede de Vigilância Popular em Saneamento e Saúde elaborou Representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitando a investigação de aspectos relacionados às concessões dos serviços de água e esgoto dos Blocos 1 e 4 no estado.
O documento reúne informações sobre a modelagem e contratação das concessões, indicadores utilizados nos contratos, pedidos bilionários de reequilíbrio econômico-financeiro, o Termo de Conciliação celebrado em 2025 e possíveis impactos sobre a CEDAE.
A Representação não afirma a existência de crime, improbidade ou conluio, mas solicita ao Ministério Público que apure os fatos e documentos reunidos e verifique a eventual ocorrência de favorecimento indevido, dano ao patrimônio público ou outras irregularidades.
Organizações, movimentos, coletivos e pessoas interessadas podem subscrever a Representação, manifestando apoio ao pedido de investigação. A adesão não corresponde ao ajuizamento de ação judicial, não torna os subscritores partes de eventual processo e não implica custas ou despesas processuais.
Leia a íntegra da Representação e manifeste seu apoio à iniciativa.
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ISTAMBUL E ATENAS MANTÊM GRANDES SISTEMAS DE SANEAMENTO SOB CONTROLE PÚBLICO
Em Istambul, na Turquia, os serviços de água e esgoto são prestados pela İSKİ, órgão público vinculado à Prefeitura Metropolitana. A empresa atende cerca de 16 milhões de habitantes, sendo responsável pela captação, tratamento e distribuição de água, além da coleta e do tratamento de esgoto. Sua infraestrutura inclui aproximadamente 23 mil km de redes de água e 18,5 mil km de redes de esgoto e drenagem.
Na região de Atenas, na Grécia, os serviços são prestados pela EYDAP, maior empresa de água e saneamento do país e controlada majoritariamente pelo Estado grego. A companhia fornece água para cerca de 4,4 milhões de pessoas e serviços de esgotamento sanitário para aproximadamente 3,5 milhões. Sua infraestrutura conta com cerca de 9,5 mil km de redes de água e 6 mil km de redes de esgoto.
Os exemplos de Istambul e Atenas mostram que algumas das maiores regiões metropolitanas da Europa mantêm a prestação dos serviços de água e saneamento sob controle público, operando sistemas de grande escala e com ampla cobertura populacional.
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