Destaques – 27 de junho a 3 de julho de 2026
Consórcio Ceará Saneamento, liderado pela Terracom, vence sem concorrentes leilão promovida pela Cagece
Novo estudo alerta para os riscos da privatização do saneamento no Brasil e cita papel do ONDAS
O fim da era das privatizações? FMI vê nova onda global de nacionalizações
O plano da Aegea para dobrar faturamento com a mesma base de clientes
Gaúchos contestam liberação de poços profundos da Aegea/Corsan em Viamão
Ação Civil Pública do ONDAS contra má prestação dos serviços da Aegea em Bombinhas (SC) tem desdobramentos
Caso Corsan/Aegea: Ação do MP em Santa Maria confirma o desastre anunciado da privatização
Interessada em continuar como CEO da Copasa, Marília Melo afirma que o mercado ainda pode estar subestimando a companhia
Os argumentos da Equatorial ao Cade por aval à compra da Copasa
A tentativa de desmonte da CEDAE, e o custo do fisiologismo no Rio de Janeiro
Brasil rumo à Conferência da ONU sobre a água: convite à participação
ONDAS participa de I Conferência Nacional dos ODSs
Inciativa de privatização de serviços municipais: governo de SP abre prazo para municípios integrarem estrutura regional do saneamento
COMDEMA rejeita privatização em São Carlos
Rio de Janeiro cede água do Paraíba do Sul para reforçar abastecimento da RMSP SP
O que está por trás da privatização do rio Paraná por Milei na Argentina
No Reino Unido, depois da onda de calor recorde, grande campanha para reduzir consumo de água
Na França, onda de calor extremo mata 1.000 em apenas 3 dias
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CONSÓRCIO CEARÁ SANEAMENTO, LIDERADO PELA TERRACOM, VENCE SEM CONCORRENTES LEILÃO PROMOVIDA PELA CAGECE
O leilão, promovido pela Cagece, ocorreu em 30 de junho de 2026, com vencedor tendo oferecido deságio de 1,15% sobre a contraprestação máxima prevista no edital.
O bloco 1 cujo serviços foi leiloado inclui 23 municípios do norte do Ceará, como Sobral e Jijoca de Jericoacoara, envolvendo cerca de 276 mil pessoas. A contraprestação total a ser paga pela Cagece será de aproximadamente R$ 3,74 bilhões ao longo de 28 anos de contrato, período no qual são previstos investimentos da ordem de R$ 1,08 bilhão.
Embora a comparação direta entre esses valores não permita concluir, por si só, sobre a rentabilidade da PPP — uma vez que a contraprestação também remunera os custos de operação, manutenção, reposição de ativos, tributos e demais despesas do contrato —, a diferença entre o investimento previsto e o montante total das contraprestações evidencia a importância de analisar a modelagem econômico-financeira do projeto, especialmente a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Valor Presente Líquido (VPL), a distribuição dos riscos e a composição dos custos operacionais.
Outro aspecto que merece atenção foi a participação de apenas um concorrente no certame. A ausência de competição tende a limitar a obtenção de ganhos econômicos para o poder público, reduzindo a possibilidade de ofertas mais vantajosas. Nesse contexto, o deságio de apenas 1,15% sobre a contraprestação máxima prevista no edital pode ser considerado relativamente modesto e sugere que o processo competitivo teve capacidade limitada de produzir economias para a Cagece.
Outros quatro blocos regionais (Centro-Sul, Centro-Leste, Três Climas-Maciço e Sertões de Crateús-Ibiapaba) não receberam propostas e não foram leiloados. A Cagece planeja reavaliar a modelagem desses lotes para realizar novos certames ainda em 2026.
A Terracom Concessões é uma holding que atua em diversos serviços públicos, incluindo administração de aeroportos, água e esgoto, gestão e manejo de resíduos sólidos e limpeza urbana e iluminação pública. O Grupo Terracom é uma holding privada (não listada em bolsa), fundado em 1969 em Cubatão/SP por Antonio Diniz, ainda hoje presidente do grupo, que é controlado por sua família. O grupo detém concessionárias de água e esgoto em cinco municípios de São Paulo, com cerca de 110 mil habitantes,
A Aegea presta serviço de esgotamento sanitário em 25 municípios cearenses. Sua ausência neste leilão pode significar problemas que estão dificultando a continuidade de sua expansão agressiva. Cabe lembrar que, depois de muito barulho, a Aegea também desistiu de concorrer pelo controle da Copasa.
NOVO ESTUDO ALERTA PARA OS RISCOS DA PRIVATIZAÇÃO DO SANEAMENTO NO BRASIL E CITA PAPEL DO ONDAS
Um estudo recente publicado na revista científica interdisciplinar Revista Foco alerta sobre os rumos do saneamento básico no país. Intitulado “Água como Direito Humano e a Privatização dos Serviços Públicos de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário no Brasil”, o artigo é assinado pelo Ph.D. em Saúde Ambiental Luiz Roberto Santos Moraes, professor da Universidade Federal da Bahia e membro do ONDAS.
O artigo analisa de forma crítica o processo acelerado de concessões e privatizações de serviços de água e esgoto que tomou conta do Brasil após a Lei nº 14.026/2020. Segundo o pesquisador, a transferência desses serviços essenciais para o controle de oligopólios privados caminha na contramão da tendência global de reestatização e tem gerado exclusão econômica através de aumentos tarifários abusivos e seletividade nos investimentos.
O autor destaca a articulação da sociedade civil organizada e da comunidade acadêmica no enfrentamento a esse modelo. O autor cita nominalmente ONDAS — ao lado de federações e movimentos populares como a FNU, o MST e o MAB — como uma das entidades de destaque na denúncia das consequências nefastas da mercantilização desse recurso.
O estudo aponta que o ONDAS e as demais organizações cumprem um papel técnico e político crucial ao evidenciar que tratar a água potável e o esgotamento como mercadorias sujeitas às leis de mercado prejudica frontalmente as populações pauperizadas, retira o controle democrático sobre os bens comuns e ameaça a própria sustentabilidade ambiental. O texto lembra que o Observatório tem sido uma voz ativa ao mostrar como o novo desenho institucional enfraquece os conselhos municipais e esvazia os mecanismos tradicionais de participação e controle social.
A íntegra do artigo está disponível aqui.
O FIM DA ERA DAS PRIVATIZAÇÕES? FMI VÊ NOVA ONDA GLOBAL DE NACIONALIZAÇÕES
Nas últimas décadas, uma tese se sobressaiu dentre tantas na macroeconomia global: privatizações, abertura comercial, liberalização financeira e redução da participação do Estado são os pilares da ordem econômica construída após o fim da Guerra Fria.
Uma edição especial da revista Finance & Development (F&D), publicação oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI), sugere que o mundo está entrando em uma nova fase. Em artigo publicado na edição de junho de 2026, o historiador econômico Nicholas Mulder, professor da Cornell University, afirma que governos ao redor do mundo estão retomando o controle de empresas, infraestrutura e recursos naturais no ritmo mais acelerado em meio século.
O PLANO DA AEGEA PARA DOBRAR FATURAMENTO COM A MESMA BASE DE CLIENTES
A InfoMoney publicou reportagem em que trata abertamente dos lucros exorbitantes da Aegea: “ ‘A cada casa nova que eu ligo um dia mais cedo, eu quase que dobro essa receita’, afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea. O plano é dobrar o faturamento atual de R$ 20 bilhões até 2033 sem precisar conquistar novos clientes.
A estratégia da maior empresa privada de saneamento do país foca em ligar à rede de esgoto quem hoje só recebe água. Cada nova conexão gera um serviço inédito para o morador, com baixo custo extra e alta margem de lucro.”
O CEO da Aegea não mencionou que a Aegea é a controladora há oito anos da Água de Manaus, concessionária privada que está em débito com as ligações de esgoto na capital amazonense. Há 26 anos sob concessão privada, apenas 32,4% da população de Manaus tem acesso aos serviços de esgotamento sanitário.
Com foco no aumento das receitas e no retorno para os acionistas, o CEO da Aegea não quer saber das dificuldades para tornar efetivas as ligações domiciliares de esgoto. Pelo visto, não leu o Guia de conectividade à rede de esgoto sanitário, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e objeto de resenha elaborada por Renata de Faria Rocha e Viviane Silva Vasconcelos e publicada pelo ONDAS em maio de 2026.
GAÚCHOS CONTESTAM LIBERAÇÃO DE POÇOS PROFUNDOS DA AEGEA/CORSAN EM VIAMÃO
Em Viamão (RS), o Movimento em Defesa das Águas Claras se reuniu na sexta-feira (26) para definir os próximos passos da mobilização contra a instalação de poços profundos pela Aegea/Corsan no distrito de Águas Claras, zona rural de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A mobilização ocorre após a homologação de um acordo entre o Ministério Público e a concessionária. Para os moradores, a população local foi desconsiderada na tomada de decisão e as perguntas técnicas levantadas na Ação Civil Pública sobre os impactos da exploração do aquífero seguem sem resposta..
AÇÃO CIVIL PÚBLICA DO ONDAS CONTRA MÁ PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DA AEGEA EM BOMBINHAS (SC) TEM DESDOBRAMENTOS
A Águas de Bombinhas é a concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário no município. Controlada da Aegea Saneamento, a empresa privada atua na cidade por meio de uma concessão de 35 anos assinada em 2016.
Liminar, no âmbito de ação civil pública impetrada pelo ONDAS, defere, sob pena de multa diária de cem mil reais, a imediata cessação de lançamento de efluentes fora dos padrões legais e a apresentação e execução em 30 dias de um plano de contingência. Os pedidos de interrupção na distribuição dos lucros e de intervenção do município na concessão ficaram para a fase de instrução.
É mais um passo importante para o resgate da legalidade da concessão e do direito da sociedade local a um meio ambiente equilibrado.
CASO CORSAN/AEGEA: AÇÃO DO MP EM SANTA MARIA CONFIRMA O DESASTRE ANUNCIADO DA PRIVATIZAÇÃO
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ajuizou, no final de junho de 2026, uma ação civil pública contra a Corsan e a Aegea Saneamento devido a práticas abusivas na cobrança de tarifas de água no município de Santa Maria. A investigação, liderada pela promotora de Justiça Giani Saad, identificou irregularidades sistemáticas que resultaram em contas infladas, afetando desproporcionalmente consumidores em situação de vulnerabilidade.
A ação detalha um conjunto de práticas consideradas ilegais e abusivas pelas concessionárias. Entre as principais irregularidades identificadas estão a aplicação de cobranças por média de consumo sem base técnica e a imposição de multas indevidas. Além disso, o Ministério Público aponta a cobrança por serviços não efetivamente prestados, destacando a tarifa de esgoto em imóveis sem possibilidade de ligação à rede, o que configura cobrança por serviço não utilizado.
Outro ponto crítico é a emissão de faturas com valores incompatíveis com o consumo real dos usuários. Essas condutas violam a transparência na relação de consumo e ferem normas regulatórias, gerando um cenário de enriquecimento ilícito das empresas em detrimento dos consumidores.
INTERESSADA EM CONTINUAR COMO CEO DA COPASA, MARÍLIA MELO AFIRMA QUE O MERCADO AINDA PODE ESTAR SUBESTIMANDO A COMPANHIA
Perfeitamente ajustada aos novos tempos, Marília Carvalho de Melo afirma que o maior potencial de valorização ainda depende da execução da nova fase da empresa — e revela onde pretende destravar valor. “Eu não tenho dúvida de que temos muito espaço para valorização da companhia nos próximos anos. Os ganhos de eficiência de verdade virão daqui para frente”, disse a executiva, em entrevista exclusiva ao site Seu Dinheiro.
Sem variar, ela já fala de demissões: Consultorias como a BCG identificaram oportunidades de eficiência, e um programa de demissão voluntária e incentivada (PDVI) deverá ser apresentado aos novos controladores.
Sinal dos tempos: o noticiário de saneamento nos sites de fianças e as mensagens dos dirigentes dos prestadores privilegiando os acionista e investidores.
OS ARGUMENTOS DA EQUATORIAL AO CADE POR AVAL À COMPRA DA COPASA
Nova sócia de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Equatorial pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a operação seja analisada sob rito sumário, modalidade simplificada que permite o exame célere de negociações tidas como menos complexas.
Segundo a holding, a aquisição de 30% não gera preocupação quanto à concentração de mercado. Para tal, a investidora âncora sustenta que, neste momento, presta serviços de saneamento exclusivamente no Amapá, por meio da CSA Equatorial, enquanto a Copasa tem atividades restritas ao território mineiro.
Será que a Equatorial não informou ao CADE que é a acionista de referência e investidora estratégica da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) desde julho de 2024, quando adquiriu 15% das ações da empresa estatal paulista em um processo de privatização já concluído. E que nestas condições, a Equatorial tem o direito de indicar o presidente e três diretores da Sabesp, além de ocupar três das nove vagas no Conselho de Administração.
A TENTATIVA DE DESMONTE DA CEDAE, E O CUSTO DO FISIOLOGISMO NO RIO DE JANEIRO
Aru Girota denuncia um processo de desmonte da CEDAE, impulsionado por gestões políticas e a privatização de serviços rentáveis, resultando em prejuízos bilionários ao erário. O autor aponta descontos injustificados concedidos à concessionária Águas do Rio e o papel da holding AEGEA, exigindo intervenção dos órgãos de controle. O texto pede responsabilização sobre a dívida, agora provisionada como perda de R$ 871 milhões pela estatal, e deposita esperanças na atual gestão do desembargador Ricardo Couto para o fortalecimento da empresa.
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BRASIL RUMO À CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE A ÁGUA: CONVITE À PARTICIPAÇÃO
A água que chega às casas, sustenta a produção, protege a saúde, move a economia e mantém os ecossistemas depende da forma como cuidamos das bacias hidrográficas. O “Brasil rumo à Conferência da ONU sobre a água” convida cidadãos, governos, Comitês de Bacia, Agências de Água, órgãos gestores, consórcios, municípios, setor produtivo, universidades, comunidades e organizações da sociedade civil a contribuir com prioridades, soluções, boas práticas e compromissos para fortalecer a segurança hídrica do Brasil. A iniciativa busca conectar participação social, conhecimento territorial e políticas públicas.
As contribuições reunidas no Brasil Participativo e nas escutas territoriais serão sistematizadas por eixo temático, território, tipo de ator, prioridade, proposta e potencial de implementação. O resultado apoiará documentos, agendas e posicionamentos do Brasil na agenda nacional e internacional da água. Participar é ajudar a transformar experiências locais, desafios de bacias, demandas de financiamento e soluções concretas em inteligência pública para orientar decisões, investimentos, cooperação e ações de longo prazo.
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ONDAS PARTICIPA DE I CONFERÊNCIA NACIONAL DOS ODSS
Representado por Francisca Adalgisa e Andrea Matos, ambas da coordenação do ONDAS, o Observatório participou da I Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), realizada entre os dias 30 de junho e 2 de julho, em Brasília.
“Foi um momento histórico, em que se consolida a união de quem luta pelos direitos das comunidades vulnerabilizadas, comunidades tradicionais e quilombolas”, afirmou Francisca.
A primeira Conferência Nacional dos ODS nasceu da articulação entre movimentos sociais e a Secretaria-Executiva da Comissão Nacional dos ODS. Para Andrea Matos, “o encontro buscou valorizar as experiências dos territórios, identificar os desafios para a implementação da Agenda 2030 e fortalecer o diálogo entre sociedade e Estado. Também promoveu o intercâmbio de tecnologias sociais e saberes produzidos em diferentes realidades. Seu propósito foi contribuir para a construção de políticas públicas e de um Brasil mais democrático, sustentável e soberano”.
O evento reuniu quase 1.000 delegados de 20 estados brasileiros, que agora terão a missão de capilarizar os debates realizados ao longo dos três dias de Conferência. Os participantes discutiram temas essenciais para o desenvolvimento social do país, como educação, saúde, saneamento, meio ambiente, moradia, acessibilidade, mobilidade urbana e territorialização de políticas públicas, entre outros assuntos fundamentais para a sociedade brasileira.
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INCIATIVA DE PRIVATIZAÇÃO DE SERVIÇOS MUNICIPAIS: GOVERNO DE SP ABRE PRAZO PARA MUNICÍPIOS INTEGRAREM ESTRUTURA REGIONAL DO SANEAMENTO
O Governo do Estado de São Paulo publicou a Resolução SEMIL nº 022/2026, que disciplina o procedimento para a integração dos municípios à Unidade Regional de Saneamento Básico (URAE 2). Com a publicação, os municípios têm até 180 dias para formalizar sua integração à estrutura regionalizada. O procedimento se baseia na Lei Estadual 18.436/2026, e na sua regulamentação pelo Decreto 70.623/2026.
O ONDAS tem trabalhado junto a dirigentes e lideranças municipais esclarecendo que a adesão de município à URAE 2 é totalmente voluntária e tem sérias consequência: a perda da titularidade sobre os serviços de água e esgoto, que passará a ser exercida pelo órgão de governança da URAE controlado pelo governo de São Paulo.
A organização da URAE se articula com o programa Universaliza SP conduzido pelo Governo do Estado para, a serviço da Sabesp privatizada, privatizar também os serviços de água e esgoto hoje prestados por entidades municipais.
Segundo Carta Aberta aprovada no 54º Congresso da Assemae (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), o modelo defendido pelo programa Universaliza SP funciona como uma engrenagem para concentrar os serviços nas mãos do governo estadual e facilitar futuras concessões privadas.
Prefeito, não entregue a titularidade de seu município. Não integre a URAE 2.
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COMDEMA REJEITA PRIVATIZAÇÃO EM SÃO CARLOS
O COMDEMA aprovou, por 8 a 7, uma moção em defesa do SAAE público de São Carlos, rejeitando qualquer proposta de privatização ou concessão. A decisão também propõe criar um Conselho Paritário para acompanhar a autarquia.
A vitória ocorre às vésperas dos 57 anos do SAAE e evidencia a fragilidade dos projetos de desestatização no estado. Os problemas atuais do serviço resultam de gestões que sucatearam a autarquia, não da incapacidade do modelo público.
O SAAE tem corpo técnico qualificado; o desafio é administrativo. A adesão ao Universaliza SP ignora as particularidades locais e reforça riscos de mercantilização da água. A posição do COMDEMA mostra que a sociedade está mobilizada e que a defesa do saneamento público deve continuar.
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RIO DE JANEIRO CEDE ÁGUA DO PARAÍBA DO SUL PARA REFORÇAR ABASTECIMENTO DA RMSP SP
Na última semana de junho, o Rio de Janeiro autorizou que São Paulo retire mais água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para socorrer o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. O acordo foi assinado em Brasília na sede da Agência Nacional de Águas entre representantes dos três estados envolvidos — Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — e tem validade até 31 de dezembro de 2026.
Com o Sistema Cantareira operando com menos de 40% da capacidade, a transposição pela UHE Jaguari pode chegar a 8,5 m³ por segundo até dezembro.
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O QUE ESTÁ POR TRÁS DA PRIVATIZAÇÃO DO RIO PARANÁ POR MILEI NA ARGENTINA
O principal corredor fluvial da Argentina foi privatizado. Em 19 de junho, o país concluiu o processo de concessão da hidrovia Paraná-Paraguai, responsável pelo escoamento de cerca de 80% das exportações argentinas para o oceano Atlântico.
A nova concessão foi entregue à empresa belga Jan de Nul, em parceria com a argentina Servimagnus S.A. A companhia europeia também foi a vencedora da licitação feita nos anos 1990 e, por isso, já operava a via fluvial. A Jan de Nul é a mesma empresa que, neste mês, assinou contrato de R$ 617,9 milhões para a dragagem de aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos.
A maior concessão à iniciativa privada do governo de extrema direita de Javier Milei é marcada por denúncias de direcionamento da licitação, exclusão de empresas estatais – incluindo uma disputa geopolítica entre Estados Unidos e China – e ausência de estudos de impacto ambiental. Em meio a cifras e interesses, também crescem os alertas sobre riscos à soberania nacional.
NO REINO UNIDO, DEPOIS DA ONDA DE CALOR RECORDE, GRANDE CAMPANHA PARA REDUZIR CONSUMO DE ÁGUA
Campanha de proporções inéditas para incentivar o público a reduzir o uso da água será lançada esta semana, à medida que o Reino Unido emerge de temperaturas recordes atribuídas à crise climática.
A campanha publicitária de £75 milhões, chamada Vamos Economizar Água, aconselhará e incentivará as pessoas a tratar a água como um recurso precioso e tem como meta que todos reduzam seu uso diário em 28 litros da média atual de cerca de 140 litros por dia.
Uma parceria envolvendo empresas de água, o regulador de água Ofwat, a Agência Ambiental, o Met Office e a Natural Resources Wales está por trás da campanha, que será paga pelas empresas de água ao longo de quatro anos.
O consumo de água em Inglaterra e no País de Gales está entre os mais elevados da Europa. Países como a Alemanha e os Países Baixos consomem em média 120 litros por pessoa por dia em comparação.
Saiba mais lendo matéria no The Guardian.
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NA FRANÇA, ONDA DE CALOR EXTREMO MATA 1.000 EM APENAS 3 DIAS
A estimativa é do Ministério da Saúde. O verão no hemisfério norte mal começou e já quebrou diversos recordes históricos de temperatura. A terça-feira, 23 de junho, foi o dia mais quente já registrado no país, superando o recorde estabelecido em 2003, informou a pasta. Na data, o serviço meteorológico francês registrou 44,3ºC em Pissos — marcando o dia mais quente no país desde o início das medições, em 1947.
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