ONDAS e entidades impugnam pregão de privatização da Copasa (MG)

O ONDAS, a FNU – Federação Nacional dos Urbanitários – e a FISENGE – Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – encaminharam ao BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – impugnação do pregão de privatização da Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais, nesta terça- feira (13 de outubro).

. Pregão de privatização da COPASA é ilegal e configura improbidade administrativa, afirmam entidades
. Impugnação foi encaminhada ao BNDES, responsável pelo pregão. A abertura de envelopes está marcada para o próximo dia 19

Em face a irregularidades e ilegalidades que envolvem o pregão nº 40/2020 do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que tem como objeto a contratação de serviços técnicos à estruturação que subsidiem a modelagem da privatização da Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais, três entidades que defendem a universalização do saneamento por meio de gestão pública, impugnaram tempestivamente o referido edital, nesta terça-feira (13/10). A sessão pública de realização do pregão está marcada para 19 de outubro, próxima segunda-feira.

As entidades – o ONDAS, a FNU – Federação Nacional dos Urbanitários – e a FISENGE – Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros – argumentam que a Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002, que instituiu a modalidade de licitação denominada pregão, restringiu a sua aplicação para aquisição de bens e serviços comuns, definindo que bens e serviços comuns são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado.

Na impugnação, as entidades argumentam que serviços técnicos especializados para modelagem jurídica-econômica da privatização da Copasa, pela complexidade que apresentam, exigem especialistas de formações diversas, com significativa experiência e notório conhecimento, e não devem ser classificados como serviços comuns. Assim, não podem ser licitados por meio de pregão.

Marcos Montenegro, coordenador-geral do ONDAS, argumenta que “há flagrante improbidade ao se utilizar o pregão, para contratação de bens e serviços que não sejam comuns”. Além disso, ele explica que “não é possível contemplar o interesse público licitando serviços de tal complexidade e de significado estratégico para o estado de Minas Gerais utilizando uma modalidade que define o vencedor pelo critério de menor preço”.

As entidades consideram  que o BNDES, ao lançar mão desta modalidade de licitação, atenta contra a probidade administrativa. A Lei de Licitações e Contratos Administrativos orienta a contratação de serviços intelectuais por meio de licitação do tipo “melhor técnica” ou do tipo “técnica e preço”. São tipos a serem adotados nos casos em que o interesse público não é satisfeito por licitação do tipo menor preço.

A impugnação das entidades afirma que o BNDES, ao desprezar as diretrizes legais, colocou o interesse público em risco, adotando conduta ilegal que pode provocar danos ao erário público.

Na quarta (14/10), a FISENGE protocolou no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público Federal representações, de igual teor à impugnação junto ao BNDES, para apuração de responsabilidades e demais providências, em desfavor de o BNDES.

Copasa
A Copasa é uma empresa pública, de economia mista e capital aberto, atuando como prestadora de serviços públicos de abastecimento de água, de esgotamento sanitário e também de tratamento e disposição final de resíduos sólidos. O estado é o acionista controlador, detendo 50,04% de seu capital. A empresa foi criada em 1974 e em 2006 realizou a oferta pública inicial de ações no Novo Mercado da B3. A empresa tem uma subsidiária, COPANOR, que atende com abastecimento de água e esgotamento sanitário pequenas localidades dos vales do Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus, no Nordeste de Minas, com populações entre 200 e 5.000 habitantes. Juntas atendem no estado 11,405 milhões de pessoas com abastecimento de água e 8,123 milhões com esgotamento sanitário. A Companhia apresentou, no último exercício (ano de 2019), lucro líquido de R$754,4 milhões e um patrimônio de R$ 6,7 bilhões.

➡️ Leia aqui a íntegra da impugnação.

Leia também:  
. Deputada Ana Paula Siqueira fala sobre ameaça de privatização da Copasa
. Por que vender a COPASA é um péssimo negócio para o estado de Minas Gerais?
. Zema e a venda da Copasa(MG) – artigo
. Quando uma empresa estatal garantiu água em Montes Claros

 

 

 

 

 

Compartilhe nas Redes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *