Destaques – 18 a 24 de abril de 2026
Porto Alegre : Frente em defesa da água e do DMAE público e estatal organiza ações contra o financiamento das privatizações pelo BNDES
A relação entre a privatização da Sabesp pelo governo Tarcísio e o Banco Master
Capturado por privatistas, BNDES minimiza efeito Aegea sobre projetos
Proprietários da Águas de Manaus realizam operações suspeitas
Amazonense pode economizar cerca de R$ 800 com acesso ao saneamento, aponta estudo
Dados de saneamento básico em 2025 revelam o Brasil que não vemos
Da privatização da água ao risco de colapso hídrico
Rodovias e saneamento lideram agenda de PPPs e concessões nos estados
Copasa: Governo de MG define regras para apresentação de ofertas para a privatização da Copasa
Financeirização do saneamento : A estratégia da Perfin para a privatização da Copasa
Eduardo Pereira licencia-se do Sindágua MG para candidatar-se a deputado estadual
Banco Mundial: Novo plano trata a água como um recurso econômico estratégico
Contaminação química atinge praia, afeta pesca e põe comunidade em alerta na Bahia
Água potável para milhões de pessoas em risco devido aos ataques da administração Trump a monumentos (reservas ambientais) nacionais
Financeirização: Na Inglaterra, diretor executivo de prestadora privada renunciará ao seu bônus devido a “interrupções inaceitáveis no fornecimento de água”
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PORTO ALEGRE : FRENTE EM DEFESA DA ÁGUA E DO DMAE PÚBLICO E ESTATAL ORGANIZA AÇÕES CONTRA O FINANCIAMENTO DAS PRIVATIZAÇÕES PELO BNDES
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) participou de reunião, na terça-feira (22/4), com integrantes da Frente em Defesa da Água e do DMAE Público Estatal e do Sindimetrô-RS. O objetivo do encontro foi barrar as privatizações do DMAE e da Trensurb, por meio de articulações políticas junto ao governo federal, em oposição a quaisquer financiamentos de concessão/privatização por meio do BNDES.
Além de questionar o papel do banco no financiamento de estudos que viabilizam concessões e privatizações, a reunião apontou para a articulação de uma agenda em Brasília, com o BNDES. Também será construído um manifesto em defesa do serviço público gaúcho, com adesão de diversas outras entidades, visando ampliar a resistência às privatizações em todas as esferas do poder público.
A RELAÇÃO ENTRE A PRIVATIZAÇÃO DA SABESP PELO GOVERNO TARCÍSIO E O BANCO MASTER
A doação milionária de campanha feita por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do falido Banco Master, para a campanha do governador direitista Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 não é o único elo entre a instituição financeira e o governador bolsonarista.
Dois anos após a vitória de Tarcísio, cuja campanha contou com R$ 2 milhões de doação de Zettel, o controle das empresas Emae e Sabesp passou a ser foco das atenções de executivos e do mercado financeiro. No início de 2024 ocorreu a constituição do Fundo Phoenix, um fundo sustentado por meio de ações da empresa Ambipar, multinacional brasileira líder em gestão ambiental e resposta a emergências, cujo presidente do conselho era Carlos Piani, hoje presidente da Sabesp.
As privatizações da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), com direito a foto da martelada, e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ambas em 2024, estão ligadas à figura de Nelson Tanure, sócio oculto do Banco Master e chamado de “comandante” por Vorcaro, segundo as apurações da Polícia Federal. Tanure é investigado hoje pelo Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federal.
CAPTURADO POR PRIVATISTAS, BNDES MINIMIZA EFEITO AEGEA SOBRE PROJETOS
A piora na alavancagem da Aegea, revelada nos resultados da companhia divulgados na madrugada de sábado (11), após sucessivos atrasos, acendeu um alerta no mercado sobre a sustentabilidade financeira de novos projetos de saneamento.
Para investidores, o principal desafio passa a ser a viabilidade dos próximos leilões. Ao jornal Valor, a diretora de infraestrutura e transição energética do BNDES, Luciana Costa, minimizou, porém, a possibilidade de o episódio afetar novos projetos de concessão ou parcerias público privadas (PPPs).
O BNDES vem desempenhando desde o início da década o papel de promotor e financiador de inciativas de privatização dos serviços públicos de água e esgoto por meio de modelagens de projetos de concessão ordinária ou de PPPs.
O ONDAS há tempos vem denunciando o papel nefasto do Banco e cobrando a retomada do seu papel social no saneamento, o que certamente não passa pelo apoio à privatização dos serviços essenciais de saneamento básico.
PROPRIETÁRIOS DA ÁGUAS DE MANAUS REALIZAM OPERAÇÕES SUSPEITAS
Grupo Aegea Saneamento é dono da Concessionária Águas de Manaus, que administra os serviços de água e esgoto da capital amazonense desde 2018, quando o Grupo Águas do Brasil deixou a cidade sem cumprir com as metas estabelecidas no contrato de concessão (2000).
A Aegea saneamento, que tem como acionistas a Equipav, o GIC (Fundo Soberano de Cingapura) e a Itaúsa, teve que refazer o seu balanço financeiro de 2024 expondo uma baixa contábil de R$ 5 bilhões. Nesta reapresentação do relatório, o patrimônio líquido total da companhia saiu de R$ 11,5 bilhões para R$ 6,3 bilhões.
Para os analistas este cenário indica uma fragilidade nos controles internos da companhia e uma perigosa falta de transparência nas contas da empresa. O tema não é apenas contábil, mas envolve interesses públicos pois se trata de serviços essenciais.
Leia artigo de Sandoval Alves Rocha, doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS).
AMAZONENSE PODE ECONOMIZAR CERCA DE R$ 800 COM ACESSO AO SANEAMENTO, APONTA ESTUDO
A universalização do saneamento na Amazônia Legal, conforme estudo do Instituto Trata Brasil, aponta um cenário de benefícios transformadores para os nove estados da região: Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. A pesquisa estima ganhos de R$ 330 bilhões decorrentes da ampliação do acesso aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Para o estado do Amazonas, que abriga cerca de 4 milhões de habitantes, o estudo indica ganhos de R$817,14 por habitante ao ano até 2040, a partir do acesso pleno aos serviços. Esse resultado se traduz em benefícios socioeconômicos que impactam positivamente a população, elevando a qualidade de vida.
Lamentavelmente, essa possibilidade está cada vez mais distante graças à privatização do saneamento que tem excluído cada vez mais a população do acesso ao serviço.
DADOS DE SANEAMENTO BÁSICO EM 2025 REVELAM O BRASIL QUE NÃO VEMOS
Às vezes, os números que lemos nos jornais parecem distantes, meras abstrações em planilhas governamentais, que a gente folheia sem de fato sentir. Mas quando parei para olhar com calma para os dados mais recentes sobre saneamento básico no Brasil, senti aquele desconforto que só vem quando a estatística bate na vida real.
Não é exagero. Estamos falando de dignidade. Do direito básico de abrir a torneira ou usar o banheiro sem que isso represente um risco à saúde ou ao meio ambiente. E os números de 2025 deixam claro que, para milhões de brasileiros, esse direito ainda é uma promessa distante.
Leia artigo de Henrique Cortez, jornalista, ambientalista e editor do EcoDebate.
DA PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA AO RISCO DE COLAPSO HÍDRICO
“Entre os ‘bens comuns’ essenciais à vida, a água ocupa um lugar central. É uma fonte de vida insubstituível para o funcionamento “sustentável” do clima da Terra e, consequentemente, para todas as atividades humanas e formas de vida no planeta.
Nos últimos tempos, perdemos o bem comum que é a água. Ela nos foi roubada e nós mesmos a transformamos em algo diferente, estranho a nós. Francisco, o santo de Assis, já não poderia chamá-la de ‘irmã’.
A primeira perda significativa do ‘bem comum’ que é a água começou quando ela passou a ser tratada como “ouro azul” em comparação ao petróleo, considerado ‘ouro negro’ desde o século XIX. Pensar na água como “ouro” é inverter sua concepção como ‘fonte de vida’. O ouro representa materialidade, riqueza, ganância, conquista, conflito e violência. E quanto mais escasso o ouro se torna, mais apenas os mais fortes podem possuí-lo. A sacralidade da água deixa de ser expressa em relação à vida.”
Leia artigo de Ricardo Petrella, reconhecido defensor da água como direito e bem público. Cientista político e economista italiano é autor de Água: 27 teses subversivas.
RODOVIAS E SANEAMENTO LIDERAM AGENDA DE PPPS E CONCESSÕES NOS ESTADOS
Do volume total de investimentos, 46,5% correspondem às rodovias, que tiveram o melhor desempenho histórico, sendo impulsionado por novas concessões e modelos operacionais. O saneamento vem logo atrás, marcando 28,5%, em alta após a lei 14026/2020.
Usando de maneira vã a bandeira da universalização, a privatização dos serviços de saneamento conta com o apoio ativo do BNDES na modelagem das concessões e PPPs e no financiamento, em última instância, de ativos públicos para o capital privado.
COPASA: GOVERNO DE MG DEFINE REGRAS PARA APRESENTAÇÃO DE OFERTAS PARA A PRIVATIZAÇÃO DA COPASA
Na qualidade de acionista majoritário da Copasa MG, o governo do estado, agora sob comando de Mateus Simões (PSD), tão ou mais privatista e neoliberal quanto Romeu Zema, publicou, nesta quinta-feira (23), os documentos da etapa prévia à oferta pública para a privatização da estatal mineira. Este estágio vai prospectar os grupos capazes de ocupar o papel de investidor de referência. Também foram disponibilizados o modelo do novo acordo de acionistas, o termo de não concorrência e o acordo de restrição à transferência de ações.
Um dos principais pontos da documentação é a exigência de apresentação de carta de fiança de no mínimo R$ 7 bilhões pelos que se dispuserem a concorrer pelo posto de investidor de referência. O modelo de privatização desenhado pelo Executivo estadual prevê, como caminho prioritário, a entrega de 30% dos 50,03% detidos pelo poder público ao já citado parceiro de referência. Outros 15% serão disponibilizados para disputa fracionada no mercado, com o Palácio Tiradentes mantendo 5%.
FINANCEIRIZAÇÃO DO SANEAMENTO : A ESTRATÉGIA DA PERFIN PARA A PRIVATIZAÇÃO DA COPASA
Maior acionista privado da Copasa MG, os fundos Perfin têm a intenção de usar o edital de desestatização para ampliar a participação na empresa. O Fator apurou que, apesar do objetivo, a Perfin não entrará na disputa para ocupar o posto de investidor de referência da companhia.
O modelo mais provável para a privatização prevê a entrega a um parceiro estratégico, com know-how no saneamento, de 30% dos 50,03% detidos pelo governo estadual na Copasa. Outros 15% devem ser postos para disputa livre no mercado, com o Executivo estadual mantendo 5%. São esses 15% que a Perfin pretende disputar.
Segundo O Fator, a intenção da Perfin é adquirir uma fatia importante desse percentual. Hoje, os fundos ligados ao grupo detêm 15,25% da Copasa, em movimento de expansão gradativa iniciado em setembro do ano passado.
Conforme informado no formulário de referência da Corsan RS, por meio do Fundo Perfin Mariner II, a Perfin detém também 20% do capital da estadual gaúcha privatizada. Os outros 80% estão com a Aegea (75%) e com dois fundos da Kinea (5%).
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EDUARDO PEREIRA LICENCIA-SE DO SINDÁGUA MG PARA CANDIDATAR-SE A DEPUTADO ESTADUAL
O presidente do SINDÁGUA e secretário de Meio Ambiente da CUT Minas, Eduardo Pereira, licenciou-se da direção do Sindicato dos trabalhadores da Copasa, no último dia 4 de abril, e lançará sua candidatura a deputado estadual por Minas Gerais nas eleições de 4 de outubro deste ano.
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BANCO MUNDIAL: NOVO PLANO TRATA A ÁGUA COMO UM RECURSO ECONÔMICO ESTRATÉGICO
O Banco Mundial anunciou, na quarta-feira (15/04), um plano para melhorar o acesso à água para um bilhão de pessoas nos próximos quatro anos. O programa, denominado Water Forward, visa “expandir os serviços confiáveis de abastecimento de água e fortalecer os sistemas contra secas e inundações”.
Segundo a agência Reuters o programa incentiva os governos a tratarem a água como um recurso econômico estratégico, e não apenas como um serviço público de baixo custo. O Banco Mundial afirmou que o programa se concentrará na mobilização de capital privado e recursos filantrópicos, além do financiamento público.
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CONTAMINAÇÃO QUÍMICA ATINGE PRAIA, AFETA PESCA E PÕE COMUNIDADE EM ALERTA NA BAHIA
Quando a maré recua na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, as poças se formam entre as pedras na faixa de areia e revelam manchas azuis e amarelas na água. O aspecto brilhante chama a atenção de quem passa, e o cheiro forte incomoda.
As manchas começaram a aparecer em fevereiro e são resultado da contaminação por compostos químicos como nitrato, nitrito e cobre. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Inema, órgão ambiental do governo da Bahia, que determinou a interdição temporária da praia.
O mandato da vereadora Eliete Paraguassu divulgou a mobilização dos moradores prejudicados.
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ÁGUA POTÁVEL PARA MILHÕES DE PESSOAS EM RISCO DEVIDO AOS ATAQUES DA ADMINISTRAÇÃO TRUMP A MONUMENTOS (RESERVAS AMBIENTAIS) NACIONAIS
O Center for American Progress, instituto que se caracteriza com apartidário, divulgou análise destacando o enorme risco que representam para os rios, córregos e abastecimento de água potável dos EUA as ameaças do governo Trump de eliminar monumentos nacionais (parques e reservas ambientais) protegidos,
Nas suas conclusões os autores afirmam que a falta de acesso à água potável ser uma grande preocupação de saúde pública, figurando consistentemente como a principal prioridade ambiental dos americanos. No entanto, o governo Trump pode estar prestes a reverter proteções fundamentais para terras públicas que servem como fontes vitais de água potável. As ameaças iminentes aos monumentos nacionais não apenas colocam em risco paisagens icônicas, história cultural e oportunidades de recreação, mas também comprometem desnecessariamente o abastecimento de água potável de milhões de americanos.
No plano internacional, a decisão em julho de 2025 do governo Trump de cortar quase toda a ajuda externa dos EUA deixou dezenas de projetos de água e saneamento inacabados em todo o mundo, criando novos riscos para milhões de pessoas ficaram sem a água potável e os serviços de saneamento, constatou a Reuters que identificou 21 projetos inacabados em 16 países após conversar com 17 fontes familiarizadas com os planos de infraestrutura. A maioria desses projetos não havia sido divulgada anteriormente.
Leia aqui a matéria no site do Center for American Progress.
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FINANCEIRIZAÇÃO: NA INGLATERRA, DIRETOR EXECUTIVO DE PRESTADORA PRIVADA RENUNCIARÁ AO SEU BÔNUS DEVIDO A “INTERRUPÇÕES INACEITÁVEIS NO FORNECIMENTO DE ÁGUA”
Na terça-feira, 14 de abril, em depoimento na Câmara dos Comuns, o diretor executivo da South East Water, David Hinton, afirmou que receberá apenas seu salário anual de £400.000 este ano, depois que milhares de clientes ficaram sem água. Ele disse que renunciará a seu bônus como um ato de penitência pelas “interrupções inaceitáveis” que deixaram milhares de clientes em Kent e Sussex sem água.
O salário anual de £400.000 do diretor da empresa privada corresponde a uma remuneração mensal de cerca de R$ 230 mil. Atualmente, a South East Water perde 100 milhões de litros por dia e é a empresa de água com a pior classificação, de acordo com o relatório da entidade reguladora OFWAT. A South East Water pertence à empresa controladora HDF (UK) Holdings Limited, cujos acionistas são a australiana Utilities Trust of Australia , que detém 50% das ações, o fundo de pensão britânico NatWest com participação de 25% e três companhias do grupo canadense Desjardins, com os restantes 25%.
Leia no The Guardian.
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