ONDAS – Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento

ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Corsan/Aegea acumula investigações no Rio Grande do Sul

Destaques –  16 a 22 de maio de 2025

Emoji Corsan/Aegea acumula investigações no Rio Grande do Sul
2⃣ Saiu a Revista do II ENDHAS
3⃣ Sabesp indica saída da corrida pela Copasa e cita ‘relevantes oportunidades de crescimento em SP’
4⃣ Aegea: Itaúsa e o fundo GIC, de Singapura, lideram aporte de R$ 5 bilhões na holding
5⃣ Na Sabesp privatizada, a prioridade é maximizar o lucro
6⃣ Sabesp: como privatização na Argentina pode destravar valor bilionário para companhia
7️⃣ Acciona arremata PPP de saneamento da Paraíba em leilão sem concorrentes
8️⃣ SINDIÁGUA-PB é contra a privatização e desestatização da CAGEPA por meio da PPP do esgoto realizada em leilão
9️⃣ ONDAS integra Conselho Deliberativo da URAE 1 de São Paulo
? Governo de São Paulo é cúmplice do descalabro da Sabesp
ONDAS na mídia: Amauri Pollachi fala sobre explosão no Jaguaré
Guia de Conectividade à rede de esgoto tem resenha publicada no site do Ondas
Advogado faz crítica sobre a transformação de “bons projetos de privatização do saneamento” em maus negócios e revela preconceitos neoliberais
ONDAS se reúne com representantes sindicais
PPP em Mato Grosso do Sul Ministério Público pede suspensão de contrato de R$ 1 bilhão em Tangará da Serra
No Reino Unido, Surfers Against Sewage fazem novo protesto de âmbito nacional
Inglaterra: Dívida da Thames Water atinge R$118 bilhões após 27 anos de privatização. Fundos abutres querem ganhar com a falência
Berlim mostra que privatização da água nunca deu certo
Dica de curso: tratamento de esgoto em comunidades isoladas
Livro: Experiências da (In)Segurança Hídrica no Brasil

Emoji
CORSAN/AEGEA ACUMULA INVESTIGAÇÕES NO RIO GRANDE DO SUL

Os serviços de abastecimento de água e esgoto da Corsan/Aegea estão sendo investigados em seis municípios gaúchos. Os vereadores de Canoas, Gravataí, Viamão e Venâncio Aires aprovaram a instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito para apurar denúncias de falhas recorrentes no abastecimento, cobranças indevidas e falta de transparência nas contas d’água. Em nota ao Jornal do Comércio, a Corsan afirma que mantém diálogo permanente com o poder público para prestar esclarecimentos.

Em Esteio, foi instituída uma Comissão Especial na Câmara para fiscalizar a execução contratual. Em Alvorada, a prefeitura move ação judicial contra a Corsan/Aegea, incluindo a baixa qualidade da água na lista de denúncias. Desde o início de abril, aliás, moradores da Região Metropolitana reclamam do cheiro forte e gosto ruim da água. Ao G1, a concessionária garantiu que a água é segura para o consumo.

As irregularidades não param por aí: conforme levantamento do Ministério Público Estadual divulgado pelo Sul21, até maio de 2026 foram registrados 198 casos envolvendo a concessionária, de ações judiciais a investigações. A Aegea atende 317 dos 497 municípios gaúchos (cerca de 64%). A Matinal mostrou, em março, que as denúncias contra abusos da Aegea já chegaram ao Congresso Nacional. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) propôs projeto de lei para coibir práticas abusivas, como a cobrança de tarifa básica em quartos não ocupados em hotéis, o que quadruplicou contas nos estabelecimentos do Litoral Norte.

Em 2025, a empresa confirmou o interesse em disputar a concessão do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Porto Alegre. Em 2022, a Aegea foi a única concorrente e a vencedora do leilão da Corsan – o Tribunal de Contas do Estado (TCE) chegou a anular o processo, mas uma decisão monocrática do presidente do TCE liberou a venda.

Leia as reportagens do Sul21, do Brasil de Fato e da Matinal.

2⃣
SAIU A REVISTA DO II ENDHAS

O II Encontro Nacional de Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (ENDHAS) reuniu em Salvador (BA), entre 18 e 20 de março de 2026, movimentos sociais, profissionais do setor e acadêmicos com o objetivo promover o debate interdisciplinar sobre os desafios e avanços na efetivação dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) no Brasil e na América Latina.

Nesta segunda edição, o ENDHAS consolidou-se como um espaço de troca de experiências e articulação para políticas públicas, abordando temas como privatização, racismo ambiental, interseccionalidades no acesso, gestão comunitária da água, mudanças climáticas, entre outros.

Agora, temos o orgulho de apresentar a Revista do II ENDHAS, que traz um compilado do que foi esse encontro que reuniu mais de 350 pessoas com o propósito de reafirmar que água e saneamento são direitos e não mercadorias!

Baixe aqui a Revista do II ENDHAS.

3⃣
SABESP INDICA SAÍDA DA CORRIDA PELA COPASA E CITA ‘RELEVANTES OPORTUNIDADES DE CRESCIMENTO EM SP’

A Sabesp indicou oficialmente que não apresentará oferta para se tornar acionista majoritária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A companhia paulista afirmou que “entende que existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio estado de São Paulo”. A empresa ainda salientou que “mantém foco na execução do seu plano de investimentos”.

A Sabesp foi uma das corporações que se credenciou para participar do processo de privatização da Copasa. A desistência de entrar no processo é da Sabesp, e não da Equatorial, sócia de referência da empresa paulista.

A Aegea também se cadastrou para entrar da disputa para se tornar sócia de referência. Segundo fontes, os candidatos a investidores de referência poderão entregar suas propostas entre esta quinta-feira (21) e a próxima segunda-feira (25). O anúncio do nome do investidor de referência ocorrerá no dia 27/05. O Valor Econômico afirma que a Copasa deve precificar sua oferta subsequente de ações (“follow-on”) no próximo dia 2 de junho,

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4⃣
AEGEA: ITAÚSA E O FUNDO GIC, DE SINGAPURA, LIDERAM APORTE DE R$ 5 BILHÕES NA HOLDING

Após o “susto” que a levou a republicar as demonstrações financeiras de 2024, a Aegea estará ajustada até o fim deste ano, afirmou o CEO da companhia, Radamés Casseb. Segundo ele, não está descartada a possibilidade de os acionistas fazerem um aporte para dar uma “folga” à empresa, que ficou perto de estourar os “covenants” (cláusulas que estabelecem compromissos ou restrições) previstos em contratos de dívida.

O site InvestNews informa com base em “pessoas familiarizadas com o assunto” que a Aegea receberá até US$ 5 bilhões em capital novo de acionistas – liderados pelo fundo soberano de Singapura GIC e pela Itaúsa –, enquanto se prepara para uma possível oferta pela estatal mineira Copasa,

Em abril, a companhia divulgou com atraso o balanço de 2025 e republicou o de 2024 após “revisões de políticas contábeis e reavaliações de estimativas” que levaram a uma redução de R$ 5 bilhões no patrimônio líquido. O episódio fez com que o IPO da holding fosse adiado para 2027.

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5⃣
NA SABESP PRIVATIZADA, A PRIORIDADE É MAXIMIZAR O LUCRO

Em artigo publicado no site do ONDAS, Marcos Helano Montenegro, Amauri Pollachi e Edson Aparecido da Silva detalham investigação sobre a Sabesp após sua privatização em julho de 2024, em que foi identificada uma forte elevação dos lucros acompanhada de expressiva redução de custos operacionais da empresa, especialmente do custo de pessoal, com sérias consequências sobre a qualidade e segurança dos trabalhos realizados pela empresa.

Verificou-se que o lucro líquido médio anual da Sabesp no triênio 2021–2023, antes da privatização, foi de R$ 3,4 bilhões, valor que no 2024-2025, após a venda do controle acionário pelo estado de São Paulo, saltou para R$ 9,2 bilhões, com um crescimento de aproximadamente 2,7 vezes.

O valor adicionado mede o acréscimo de valor realizado pelo processo produtivo, isto é, o acréscimo de valor decorrente do trabalho humano. Com a privatização, a participação das despesas de pessoal no valor adicionado distribuído sofreu uma forte redução. No triênio anterior à privatização, a participação média das despesas de pessoal no valor adicionado era de 25%, enquanto no biênio 2024–2025 essa participação caiu para 13,5%.

Leia o artigo no site do ONDAS.

6⃣
SABESP: COMO PRIVATIZAÇÃO NA ARGENTINA PODE DESTRAVAR VALOR BILIONÁRIO PARA COMPANHIA

A XP Investimentos avalia que a possível privatização da Agua y Saneamientos Argentinos S.A. (AySA) companhia de água e esgoto de Buenos Aires, representa uma oportunidade “oculta” relevante para a Sabesp, destacando que o ativo argentino pode gerar criação de valor expressiva caso a companhia paulista avance na disputa pela concessão.

A AySA foi criada em março de 2006 por ato do Poder Executivo Nacional ratificado pelo Poder Legislativo mediante a Lei N° 26.100. O Estado Nacional detém 90% do capital social, enquanto os 10% restantes são de propriedade dos trabalhadores por meio de Programa de Participação Acionária (PPA). A privatização da estatal é uma iniciativa do governo ultra liberal do presidente Javier Millei, de extrema-direita.

Segundo as estimativas, a AySA poderia valer cerca de US$ 1,8 bilhão. Considerando um desembolso de aproximadamente US$ 500 milhões pelos 90% atualmente controlados pelo governo argentino, o potencial de criação de valor poderia alcançar US$ 1,3 bilhão, o equivalente a cerca de 5% do valor de mercado da Sabesp.

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7️⃣
ACCIONA ARREMATA PPP DE SANEAMENTO DA PARAÍBA EM LEILÃO SEM CONCORRENTES

A espanhola Acciona arrematou a PPP (parceria público-privado) de esgotamento sanitário da Cagepa (Companhia de Água e Esgotos da Paraíba) depois de oferecer um desconto de 1% sobre a contraprestação que será paga pela empresa estadual. O leilão foi realizado em15/05, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

A companhia foi a única concorrente no certame modelado pelo BNDES, cujo edital prevê uma contraprestação em parcela fixa de cerca de R$ 483,6 milhões (sem o desconto),  prazo de concessão de 25 anos, e previsão de investimentos acima de R$ 3 bilhões.

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8️⃣
SINDIÁGUA-PB É CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E DESESTATIZAÇÃO DA CAGEPA POR MEIO DA PPP DO ESGOTO REALIZADA EM LEILÃO

O Sindiágua-PB manifestou preocupação com o leilão da PPP do esgoto realizado na Paraíba e reafirmou posição contrária à privatização da Cagepa e à desestatização dos serviços de saneamento no estado.

Segundo o Sindicato, o processo ocorreu sem debate amplo com a sociedade e desconsiderou questionamentos apresentados pela entidade durante audiência pública. O Sindiágua-PB também alertou para os impactos do avanço da privatização do saneamento no Brasil após a Lei 14.026/2020 e defendeu que água e esgotamento sanitário devem ser tratados como política pública e direito da população, e não como mercadoria.

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9️⃣
ONDAS INTEGRA CONSELHO DELIBERATIVO DA URAE 1 DE SÃO PAULO

Em 14 de maio, na Assembleia da Sociedade Civil entre entidades inscritas para o Conselho Deliberativo da URAE 1, constituída pelo Estado de São Paulo e municípios atendidos pela Sabesp no estado de SP,  o ONDAS foi eleito para ocupar uma das cinco vagas da sociedade civil.

O ONDAS foi representado pela Amauri Pollachi. A Associação dos Engenheiros da Sabesp será a suplente do ONDAS. Cada entidade terá um percentual de 1,2% do total de votos nesse Conselho, em que o Estado tem 37% e o Município da Capital 19%.

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GOVERNO DE SÃO PAULO É CÚMPLICE DO DESCALABRO DA SABESP

Falando à Hora do Povo, o engenheiro Amauri Pollachi, coordenador do ONDAS e diretor da APU (Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp), criticou duramente a atuação da Sabesp privatizada, relacionando o aumento de acidentes, falhas operacionais e problemas no abastecimento à política de terceirização e à redução “brutal” do quadro de funcionários da empresa após a privatização.

Amauri também responsabilizou o governador Tarcísio de Freitas pelo enfraquecimento da fiscalização e pela condução do processo de privatização. As declarações foram dadas após a explosão ocorrida durante obras da Sabesp no Jaguaré, bairro da capital paulista, que causou a morte de duas pessoas, destruiu casas e deixou diversas famílias desalojadas.

Leia a entrevista completa.


ONDAS NA MÍDIA: AMAURI POLLACHI FALA SOBRE EXPLOSÃO NO JAGUARÉ

No programa ‘Em Detalhes’, do ICL, Gabriela Varella conversou com Amauri Pollachi, coordenador do conselho de orientação do ONDAS, sobre a explosão provocada por uma obra da Sabesp em mais um episódio do caos das privatizações no estado de São Paulo.

Assista aqui.


GUIA DE CONECTIVIDADE À REDE DE ESGOTO TEM RESENHA PUBLICADA NO SITE DO ONDAS

Disponível apenas em espanhol, apesar de contar com vários brasileiros na equipe que o elaborou, esse Guia publicado em novembro de 2025 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, oferece uma metodologia para o desenvolvimento e execução de “planos de conectividade”, por tornar mais abrangente a “conexão de moradias” a redes públicas de esgotamento sanitário.

A busca pela conectividade envolve a identificação e análise das barreiras existentes à ligação de moradias, e das estratégias e ações para melhorar os níveis de conexão nas intervenções em saneamento na América Latina e Caribe, mas também obter, como resultado, a valorização do serviço pelos usuários, o que inclui mudanças de comportamento relativas a higiene e a lavagem das mãos, as atividades de participação e desenvolvimento comunitário e a gestão dos serviços.

Leia no site do ONDAS resenha preparada por Renata de Faria Rocha, coordenadora geral do ONDAS, e Viviane Silva Vasconcelos.


ADVOGADO FAZ CRÍTICA SOBRE A TRANSFORMAÇÃO DE “BONS PROJETOS DE PRIVATIZAÇÃO DO SANEAMENTO” EM MAUS NEGÓCIOS E REVELA PRECONCEITOS NEOLIBERAIS

Em artigo na Folha de S. Paulo, Mauricio Portugal Ribeiro critica a modelagem dos recentes negócios de saneamento no Brasil, afirmando sem qualquer comprovação que “mundo afora, esses contratos costumam ser bons para o concessionário e —o que mais importa— para usuários e poder público. O desenho é elegante: o desejo egoístico de lucrar leva o concessionário a cumprir o contrato com maestria, e desse esforço resultam, de soslaio, enormes benefícios coletivos” e conclui “No Brasil, porém, uma combinação de interesses e imperícias vem subvertendo essa lógica.”

O autor faz algumas críticas justas, sobre erros nos dados constantes do edital e sobre as outorgas cobradas à vista, mas descamba para a crítica neoliberal e preconceituosa contra as estatais, afirmando que várias modelagens “mantêm estatais ineficientes (sem corte relevante de pessoal) na produção de água bruta”.

Não é de se estranhar. Advogado, o autor é dono do que ele diz ser primeiro e talvez o único escritório do país especializado apenas em contratos de concessão e PPP. Ele vê o saneamento como negócio, como objeto de mercantilização.

Leia o artigo na íntegra.


ONDAS SE REÚNE COM REPRESENTANTES SINDICAIS

Representantes dos trabalhadores do serviço municipal de saneamento de Porto Alegre (DEMAE) participaram de reunião da coordenação do ONDAS. O encontro teve como foco discutir formas de apoio do Observatório à luta contra a privatização dos serviços de saneamento na capital gaúcha.

Durante a reunião, os trabalhadores relataram que a resistência à privatização já ocorre há vários anos e destacaram que o apoio do ONDAS pode contribuir significativamente para fortalecer esse processo de mobilização e defesa do serviço público.

Ainda nesta semana, representantes do ONDAS também se reuniram com dirigentes sindicais do SINDIÁGUA RS e do SINDAE de Campinas. O objetivo foi apresentar dados e análises dos balanços das empresas, oferecendo subsídios técnicos que auxiliem as entidades sindicais no enfrentamento aos processos de privatização e na defesa do serviço público, bem como na luta por melhores condições salariais e de trabalho.


PPP EM MATO GROSSO DO SUL MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE SUSPENSÃO DE CONTRATO DE R$ 1 BILHÃO EM TANGARÁ DA SERRA

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso a suspensão imediata da licitação bilionária da Parceria Público-Privada (PPP) do saneamento básico e manejo de resíduos sólidos de Tangará da Serra. O contrato, estimado em R$ 1,06 bilhão e previsto para durar 35 anos, é alvo de questionamentos por supostas irregularidades técnicas, falta de transparência nos custos e possíveis prejuízos aos catadores de recicláveis do município.

O recurso foi apresentado pelo promotor de Justiça Alexandre Balas, que aponta uma série de falhas técnicas e administrativas no processo conduzido pela gestão do prefeito Vander Masson (União). Segundo o integrante do Ministério Público, a continuidade do certame representa um risco financeiro elevado aos cofres públicos e à população.

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NO REINO UNIDO, SURFERS AGAINST SEWAGE FAZEM NOVO PROTESTO DE ÂMBITO NACIONAL

No último sábado (16/05) os “Surfistas contra o esgoto” promoveram manifestação de âmbito nacional em 56 diferentes locais, reivindicando uma reformulação completa do sistema de água e esgoto do Reino Unido, guiada por cinco princípios fundamentais:

  • Saúde Pública e Ambiental em primeiro lugar: Proteger as pessoas e a natureza deve ser a prioridade legal – chega de desculpas.
  • Controle democrático real: As decisões sobre a água devem ser tomadas pelas e para as comunidades, e não a portas fechadas.
  • Benefício – custo: As tarifas pagas devem financiar água limpa e potável, não bônus corporativos. Cada centavo deve servir ao bem público.
  • Órgãos reguladores independentes e atuantes: Os órgãos reguladores devem ser capacitados e ter recursos para fazer cumprir a lei – chega de fiscais ineficazes.
  • Transparência total: Todos nós temos o direito de saber o que está acontecendo em nossos rios e mares – e como nosso dinheiro está sendo gasto.

O depoimento de Cris, um dos participantes, explicita as razões para a luta dos surfistas: “O que aconteceu nos últimos 30 anos é uma vergonha. Pagamos por um serviço vital e o dinheiro foi para os dirigentes e acionistas. Agora, nosso país está sendo arruinado pela poluição por esgoto. Vejam o que fizeram em nome do lucro! Nossos mares e rios são como veias, contendo o sangue vital de que nós e a vida selvagem precisamos. Que direito temos de envenená-los?”

INGLATERRA: DÍVIDA DA THAMES WATER ATINGE R$118 BILHÕES APÓS 27 ANOS DE PRIVATIZAÇÃO. FUNDOS ABUTRES QUEREM GANHAR COM A FALÊNCIA

Matéria do jornal britânico The Guardian informa que a dívida da maior empresa privada inglesa atingiu 17,6 bilhões de libras (equivalentes a R$ 118 bi). Para comparar, o esquema de fraudes e sonegação fiscal comandado pelo Grupo Refit (ex- Refinaria de Manguinhos) causou um prejuízo estimado em R$ 52 bilhões aos cofres públicos, enquanto o Banco Master gerou dano estimado em até R$ 8 bilhões ao Banco de Brasília (BRB).

A situação da Thames Water é tão grave que seus acionistas se afastaram da concessionária, reconheceram como zero o valor de suas ações e retiraram seus representantes do Conselho. Quem está controlando de fato a empresa são os fundos hedge credores que se autodenominam “Consórcio da Água de Londres e Vale”, e que concedeu à Thames um empréstimo de 3 bilhões de libras com uma alta taxa de juros anual de até 9,75%, a ser paga evidentemente por meio das tarifas pagas pelos clientes.

A ONG “We Own It” denuncia que esse grupo não tem interesse financeiro no bom desempenho da empresa como os acionistas poderiam ter, pois esperam maximizar seus lucros manipulando descaradamente o sistema regulatório para seus próprios fins. O consórcio dos credores, uma reunião de fundos abutres, está propondo ao governo um acordo que poderia permitir que a Thames continuasse a poluir impunemente, com isenção por quatro anos de multas cujos valores poderiam chegar a £ 1 bilhão. Eles também solicitam clemência em relação às medidas ambientais, incluindo poluição, vazamentos e outras metas de desempenho impostas há um ano. Na verdade, tentam estabelecer um novo nível de poluição por esgoto – que afetará a todos.

Mas a viabilidade deste acordo está ameaçada devido à incerteza em torno da liderança do Partido Trabalhista. Andy Burnham, cotado para ser o próximo primeiro-ministro caso vença a eleição suplementar em Makerfield no próximo mês, afirmou que deseja trazer as empresas de água (e esgoto) de volta ao controle público.

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BERLIM MOSTRA QUE PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA NUNCA DEU CERTO

A gestão da água deve ser pública ou privada? Na Alemanha 🇩🇪 em 90% dos casos o serviço é público. A privatização foi um fracasso e Berlim virou modelo de reestatização para toda a Europa.

Na Europa os prestadores públicos dos serviços de água e esgoto se reúnem na Aqua Publica Europea (APE), entidade que se define como uma associação liderada por operadores que busca soluções eficientes que atendam aos interesses públicos, e não aos corporativos.

Assista ao vídeo publicado pelo perfil Berlin é Assim.


DICA DE CURSO: TRATAMENTO DE ESGOTO EM COMUNIDADES ISOLADAS

O curso de Capacitação Técnica sobre sistemas de tratamento de esgotos em comunidades isoladas está chegando. As aulas acontecerão às segundas-feiras, de 01/06 a 29/06, sempre das 16h às 17h30. O curso é online e gratuito!

Inscrições: https://forms.gle/sbL6Sj5AMGhvmqst8

Informações: [email protected]


LIVRO: EXPERIÊNCIAS DA (IN)SEGURANÇA HÍDRICA NO BRASIL

Organizado por Jader Santos, Vanessa Empinotti, Paula Tomaz e Wendy Jepson, este livro sintetiza o esforço de uma equipe numerosa e qualificada na abordagem da escassez de água e da distribuição desigual de recursos hídricos como desafios emergentes que afetam o desenvolvimento humano em escala global. Esses problemas não apenas comprometem o acesso à água potável, mas também têm impactos significativos na saúde pública, na segurança alimentar e no desenvolvimento socioeconômico. As dificuldades relacionadas ao acesso à água segura, confiável e a um custo acessível frequentemente atingem com maior intensidade os segmentos populacionais mais vulnerabilizados, amplificando desigualdades sociais e econômicas.

Entre os autores e autoras estão integrantes do ONDAS: Ana Lucia Britto, Edson Aparecido da Silva, Luciana Nicolau Ferrara, Patricia Finamore Araújo, Rayssa Saidel Cortez e Suyá Quintslr.

O último capítulo do livro aborda a “Mobilização Social e a Luta pela Garantia dos Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário”. Nele, Edson Aparecido da Silva faz um resgate do processo de lutas iniciado em janeiro de 2015, com a criação do Coletivo de Luta pela Água em São Paulo, durante a crise hídrica, passando pelo FAMA, em 2018, e culminando na criação do ONDAS, em 2019. É, portanto, uma iniciativa ímpar de registrar essa história tão simbólica de luta e resistência dos movimentos sociais e populares, do campo e da cidade, no Brasil e em outros países da América Latina.

Leia e ou faça o download do PDF da íntegra: Experiências Insegurança Hídrica BR

 

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